terça-feira, 20 de outubro de 2009

cof

Hoje me prometi que não passava das onze, ia dormir cedo!
Não sei mais fazer isso.
Não sei mais deixar a madrugada.

Ontem fiquei até quatro da manhã, lendo e vendo filme.
E sempre fui de ler meia página ou assistir 20 minutos e babar.

Agora tenho tido esse prazer que me custa deixar.

O som da madrugada.
Minha nossa.
Meio inconsciente.
Som de sonho.
Que não sabe bem se escuta.

Estou pensando aqui nessa fissura.
Pensei agora, deve ser o cigarro.

Voltei a gostar de fumar.
E na madrugada.
Vendo filme, lendo.
Só quem fumou um dia pra saber o sabor que isso tem.
Cigarro é fedido, esfumaçado.
Mas uma mulher é outra mulher depois de fumar (mais fedida).
Eu sempre fui fumante convicta.

Não queria engravidar, fiz a maior campanha aqui em casa pela adoção.
Entrei em grupos de discussão, baixei textos, me fundamentei.
Parecia mesmo que eu fazia por ideal.
Eu mesma me convenci.

Sei hoje que era o cigarro. A cerveja.
Sou mais rala que gostaria.

Mas por amor eu baixo a guarda, a proteção e bolota!
Ufa!

Fumei o último quando tive a notícia da gravidez, por acaso estava no bar, bêbada!

Nunca gostei de maconha.
Meu nariz sempre mantive virgem.
Não bebo nada de destilado. Nem vinho.

Só cerveja.
Cerveja e cigarro, gente!

Ah, já tive outra droga sim, lembrei, lança perfume!
Já foi minha droga pesada.
Minha cidade de nascença era bem perto do Paraguai, no carnaval eram caixas nas mesas do clube.

Bom também tiveram os derivados.
Loló, benzina, e algumas tentivas de cheirar esmalte depois da bebida acabar.

Lembro de passar uma tarde trancada no quarto com uma amiga ouvindo Janis Joplin com frasquinho de benzina.
Cantamos juntas aquele dia, eu e Janis.
Minha amiga assistiu.

Dizem que cigarro é coisa de gente estressada.
Bobagem.
Me sinto mais tranquila em cada trago.

Mas eu conheço meu corpo, sei que sou frágil na garganta.
Isso me angustia.
Não quero morrer nunca.
Nunca!

Vou parar.
Vou sim.
Hoje não, hoje não dá, tenho Inland Empire pra ver.

___

Marcos me disse que os textos ficaram mais fracos depois que comecei a ficar melhor.
Hoje não deixo dúvida.
Pro Lynch?

4 comentários:

Marcos Braz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Braz disse...

Só porque eu disse que outrubro não vinha sendo tão virtuoso, mereço esse nível de reproche?

Ademais, sendo o que sou, e tendo essa minha natureza, não entendo que meus amigos não entendam que, quando critico, seguro com as unhas um elogio muito mais urgente. Assim: vejo um bom amigo. Observo ele inteiro. Vejo quanto há de bom ali. O quanto eu gosto daquelas coisas todas... Mas pergunto, primeiro de tudo: "que cabelinho é esse, figura?".

Sinceramente, não sei porque alguns gostam de mim, e me toleram ainda... Acho que são assim em alguma medida também.

Aí, vem essa pessoa, 'revelação escritora', abusa da minha boa vontade por motivos escusos (que nada têm a ver com minha controversa opinião sobre a qualidade dos escritos mais recentes)e, ao primeiro reclame, refuga indignada, dizendo que não precisa, que eu me f...
Já deveria saber que, precisando, eu empresto. Mas não consigo deixar de reclamar!

Beijo...

Randolfo disse...

Sabia, sabia, eu sempre sei, ao menos gosto de pensar assim, mesmo sabendo que na verdade não sabia nada. Você voltou.
Este mal é hereditário. Será culpa dos neurônios ao léu em busca de ocupação? Não sei, sei que só muda a substância, mas na família, do vício, nenhum de nós escapou.

Felipe disse...

Rô, assino embaixo!