domingo, 1 de novembro de 2009

Onde a vida melhor sabe dar

A gente tem momentos, e outros muito fortes.
Esses fortes marcam forte também as pessoas que estão com você.

Tenho marcado, como todo mundo, desde lá atrás.

Desde quase niguém com minha mãe pra todo lado.
Depois o quintal com meu irmão, com idade mais próxima. Com caminho de terra que a gente passava o dia fazendo pra depois ligar a torneira e ver a água que ia em cada curva que a gente inventou.
Com minha amiga de berço que temos até mesmo hoje, no estado de hoje, tanto disso forte juntas.
Mais adiante com minhas amigas que sempre foram, lá na cidade. Descobrindo toda idade. Com o que a gente pode em cada uma. Da mais estúpida descoberta à mais profunda possível.
A mesa de fora com meu pai.
Minha saída pra próxima cidade, com minha irmã. Em momento diferente quase igual na diferença de seis anos. Uma querendo entrar, outra saindo da faculdade. Dormindo às cinco, com tereré, buraco, vizinhos, vó, violão.
A outra cidade, a única onde fiz vestibular, querendo o frio depois de Ribeirão. Que me trás minha amiga, amiga desde a primeira saída onde a gente cantou Marisa Monte. As que viraram irmãs na república. O primeiro namorado que me contou da paixão que dói. O fim da faculdade tão bem vindo na Santa Catarina, onde vivi com outra amiga, depois mais uma, um dos momentos mais livres e de expectativas tão novas no Jabuti.
O amor de vida toda que veio lá de trás e no filho soubemos que pra sempre.
Tantos amigos e a família que é minha, nessa outra cidade que vim parar.
O olhar estrangeiro de gente apaixonada com minha amante do Peru.
Os amigos de longe que se aproximam mais do que dá.
E agora, num outro fim e outro começo, sem perceber, nos juntamos e fizemos quase o mesmo caminho. Quase o mesmo.
Disse antes de enviar o texto que encaminho abaixo: Sei que um pouco adiante, vou chorar de saudade, sentir aquilo delicioso que o passado faz com momento assim tão forte na vida, tão difícil e especial. Podendo lembrar ainda dessa partilha do tamanho que a gente faz.

A lista segue, vai seguindo.


Eu fico aqui pensando nesse medo, Tatoca.
Nesse choro.
Nessa intensidade de dias.

A gente se repete.
Eu você, você eu.

Parece que nos sabemos refém.
Que de novo estamos sendo carregadas, pra longe demais.
E que é tudo que a gente quer.
Mas dá o medo da volta.
Do peso que uma volta dessa tem.

E estamos mais frágeis.
Temos filhotes.
Não sabemos ainda como fazer.
Um lugar novo.
Estado novo.
Questões novas que a gente tem.

E isso faz a gente chorar.
Faz duvidar o quanto é vazio, o quanto é preenchimento.

A gente só vai saber conforme viver.
Conforme a gente vive o caminho vira conhecido.
Como quando a gente muda de casa. De região.
Ficamos apreensivas até ter tempo de se reconhecer ali.

Não tenho resposta nenhuma.
Temos a mesma idade por aqui.
Mas a gente se ajuda pensando juntas.

Te amo, mais que ontem. Menos que amanhã.
31 de setembro de 2009.

3 comentários:

Tatiana Telink disse...

Obrigada irmã.

Tainah Negreiros disse...

Cá tem colo...

Tainah Negreiros disse...

Li esse último e fui descendo e sentindo um fio tão bom dos últimos escritos. me trouxe uma sensação agradável e boa parecida com ler gibi da mônica e ouvir trem das cores do caetano. deve ter sido uma coisa agradável que tem em lembrar e eu reconheci.