segunda-feira, 8 de março de 2010

acho que aqui é sacolé

Tinha 14 anos no primeiro trabalho.
Auxiliar de auxiliar de creche.
Recebia nada, fora o cheiro que lembrei hoje.
A Débora que começou.
Era 1ª auxiliar.
Todo mundo adorava.
Todo mundo da creche e fora de lá.
Linda, linda.
Nunca tinha visto aquilo.
Chegou na escola com 14 anos.
Andava com a bunda pra trás, perna distante da outra.
Cabelo preto-preto, enrolado de bola, pele branca-anca sem risco nenhum e a boca vermelha.
Foi uma semana.
Uma semana pra toda boca de menina ser vermelha, bunda empinada e perna distante da outra pra andar.
Não tinha mais chance nenhuma, ninguém existia fora a Débora na oitava série.
Fazia tudo do jeito que a gente queria fazer.
E jogava bem volei que toda a gente treinava.
Ainda isso.
Com um metro e pouquíssimo.
Peito, bunda, perna, barriga não.
As crianças enlouqueceram.
As professoras, diretoras.
Da escola e da creche.
Me apresentava quase todo dia, ninguém lembrava.
As crianças não riam nem tentavam meu colo.
A professora pra não dispensar funcionária que não custa, pedia pra buscar papel, tinta, chamar alguém.
Pros meus pais era bonitinho ver subir na bicicleta depois da escola dizendo ir trabalhar.

Lembrei que não.
Não foi o primeiro não.
Com 11 até 13 fiz geladinho pra vender.
Com a Paty.
Com y.
Fazia na casa dela, com aquele suco em pó baratinho, esqueci o nome.
Ki Suco. Lembrei.
Depois ia de casa em casa com isopor.

Teve a loja que a gente montou.
Nessa idade também.
Toda coisa que a gente não gostava mais, a loja vendia.
O ponto não era tão bom.

Um pouco antes, a gente montava cabana na rua.
Cobrava ingresso da molecada e apresentava peça de teatro.
Já lá dentro da cabana, depois da venda de ingresso, a gente avisava às vezes que não ia ter apresentação aquele dia.

2 comentários:

paliativo disse...

palavras-imagens!

vi tudo!
nem parecia que estava lendo

:-)

paliativo disse...
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