domingo, 4 de julho de 2010

Conto de fraldas

Uma vontade de um fim de domingo.

De barca, pra fazer bonito.
Que lindo é!

Inspirada, dormi os 13 minutos.

Levanto com cara acesa sem entender como andar.
CCBB ou Caixa?
Segui pra esquerda.

Faz tempo que não venho pra cá aos domingos.
Feio.
Silêncio, pouquinho de gente e porta baixada.

Não combinando com a idéia da vontade decido um ônibus pra botafogo.
Só eu.
Depois ele que veio vindo perto da parede e mudou pro lado que eu tava da calçada.

A Caixa!
Resolvo e ando correndo pedindo desculpa se caso ele não quisesse me assaltar.

Nada que entusiasma acontece na Caixa.
Só às sete. Uma peça com Luis Melo.
Quero ver, depois.
Assustador a quantidade de porta e a noite das cinco e meia ainda mais noite na Rio Branco.

Botei cartão no sutiã e fui tentar o Odeon.
Sete, sete.

Chega bem perto, falando baixinho conta que acabou de perder o filho com tumor no cérebro, que resolveu tudo que precisava resolver no Rio e a mulher esperava desesperada no hospital. Faltava o dinheiro da passagem.
Dei o que tinha, precisava de R$ 4,00 pra ir pra casa. Ele me deu.

Era R$4,10, o motorista me liberou.
Não pensei mais no pai do filho que morreu.

As voltas pareceram maiores, não sei, deve ser coisa de domingo.
Queria um café num lugar delicioso.
Na minha frente um moço de cabelo pior que o meu parecia legal, podia chamar ele pra tomar comigo.
Uns meninos fortinhos de regata apertada sabiam da Parada em Icaraí.
Um deles me disse que eu era linda, lin-da!

Depois da ponte só via luz de freio.
Demorou um tantão e desci onde achei que valia à pena.

Acontecem coisas em Niterói, coisas feíssimas, acontecem coisas em Umuarama até.
O assassino do Chico Mendes era de lá, o Darcy.
Mas dá uma segurança enorme quando ando aqui.
Mais que em Umuarama hoje.

Fui rápida do jeito Curitiba.
Lá na frente passa o ônibus, a janela: Linda mas ficou pra trás!
Desisto do café, compro um chocolate e pego meu ônibus, o 30 de todo domingo.

3 comentários:

Tainah Negreiros disse...

isso é incrível. quase já vi tudo isso...

Poesia a Metro disse...

Podia ter me ligado pro café. Eu ia!

Saudade.
Beijo!

Rachel Souza disse...

Fiquei curiosa com o "jeito curitiba".rs
Beijo!