O lutador
de Darren Aronofsky
quarta-feira, 17 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Um Processo (que não é de Kafka)
Vocês não ouvem os assustadores
gritos ao nosso redor que habitualmente
chamamos de silêncio?
(Prólogo do Filme O Enigma de Kaspar Hauser de Herzog, 1974)
Sinceramente, numa me imaginei escrevendo sobre blog, principalmente um que não se contenta em sua condição de blog e almeja a ser livro. Acho que a realidade atual ou o tal do mundo pós-moderno é um pouco disso, a fragmentação, o ser em pedaços. O blog de Mariana Abbade, sob a Abba de Mariana, “um kaspar hauser”, um anti-herói desencontrado numa aldeia de “vencedores”. Como se fora uma atitude tentativa e tentadora de querer muito mais do que tudo, ou seja, querer nada, porque querer nada é uma espécie de tentativa de superação dos quereres, um querer que sugere a falta. E para preencher essa falta significa afirmar que, de certa maneira, ser nada é possibilidade de ser tudo, considerando que ser alguma coisa é não ser todas as outras.
E para ser sincero, acabo cometendo uma verossimilhança desses fragmentos, ou seja, este texto acaba sendo um apanhado de anotações isoladas que fiz desses poemas e aforismas em que Mariana Abbade desfila entre os mistérios de Clarice e o enigma de Kaspar Hauser. Um pouco para tentar escapar de uma postura acadêmica e analista e, por outro, para tentar entrar um pouco nessa linguagem, como se pudesse falar de dentro, dialogando como o fenômeno no momento mesmo em que ele surge como uma indagação sem o compromisso de uma resposta. Apesar de acreditar que a vida (isso que não sabemos o que é) se dá por inteiro, na mesma medida em que nós nos damos pela metade.
Há um monte de interrogações. Daí, me enrolo nessa colcha de retalhos, que são páginas e páginas em que Mariana Abbade, esse Kaspar Hauser de saias, ao brincar de enganar o tempo, destila a descrença que revela o vazio escondido entre os vazios. Mas somente a descrença permite o ser da poesia, essa menina travessa e cruel que revela os vazios que estão para serem preenchidos.
Há uma passagem muito rica quando narra o encontro-desencontro com a faculdade, a formação do ator, não do ponto de vista do “formado”, mas do formando... um processo (que não é de Kafka), o prazer, a lição.
Sobre o filho, um pouco Shiva um pouco Madona um pouco Maria um pouco Jocasta. A fera lambendo a cria. A fera que se ferifica cria da cria. Variáveis formas de comer o próprio filho.
O mais difícil é a necessidade de falar sem ter o que dizer. Muitas vezes falar se dá num esforço hercúleo neste mundo cão. Eu não sou Waldick não. Crucial falar apenas para impedir que cresçam os dentes. Alors, o que afirmar sobre “um kaspar hauser”? Com quem estão as respostas? Mariana Abbade lança o seu legado e podemos dizer, sem medo de errar, que todo leitor é um co-autor. E que cada um que lê o faz independente da intenção do autor, porque as palavras são as que dizem de acordo com o diálogo que estabeleço com ela. Como a máxima de Millor Fernandes (se não é dele deveria ser) de que “o pôr do sol é daquele que o vê”.
Enfim, o blog “um kaspar hauser” é o rito do pôr do sol.
Wilson Coêlho
Auditor Real do Collège de Pataphysique de Paris
gritos ao nosso redor que habitualmente
chamamos de silêncio?
(Prólogo do Filme O Enigma de Kaspar Hauser de Herzog, 1974)
Sinceramente, numa me imaginei escrevendo sobre blog, principalmente um que não se contenta em sua condição de blog e almeja a ser livro. Acho que a realidade atual ou o tal do mundo pós-moderno é um pouco disso, a fragmentação, o ser em pedaços. O blog de Mariana Abbade, sob a Abba de Mariana, “um kaspar hauser”, um anti-herói desencontrado numa aldeia de “vencedores”. Como se fora uma atitude tentativa e tentadora de querer muito mais do que tudo, ou seja, querer nada, porque querer nada é uma espécie de tentativa de superação dos quereres, um querer que sugere a falta. E para preencher essa falta significa afirmar que, de certa maneira, ser nada é possibilidade de ser tudo, considerando que ser alguma coisa é não ser todas as outras.
E para ser sincero, acabo cometendo uma verossimilhança desses fragmentos, ou seja, este texto acaba sendo um apanhado de anotações isoladas que fiz desses poemas e aforismas em que Mariana Abbade desfila entre os mistérios de Clarice e o enigma de Kaspar Hauser. Um pouco para tentar escapar de uma postura acadêmica e analista e, por outro, para tentar entrar um pouco nessa linguagem, como se pudesse falar de dentro, dialogando como o fenômeno no momento mesmo em que ele surge como uma indagação sem o compromisso de uma resposta. Apesar de acreditar que a vida (isso que não sabemos o que é) se dá por inteiro, na mesma medida em que nós nos damos pela metade.
Há um monte de interrogações. Daí, me enrolo nessa colcha de retalhos, que são páginas e páginas em que Mariana Abbade, esse Kaspar Hauser de saias, ao brincar de enganar o tempo, destila a descrença que revela o vazio escondido entre os vazios. Mas somente a descrença permite o ser da poesia, essa menina travessa e cruel que revela os vazios que estão para serem preenchidos.
Há uma passagem muito rica quando narra o encontro-desencontro com a faculdade, a formação do ator, não do ponto de vista do “formado”, mas do formando... um processo (que não é de Kafka), o prazer, a lição.
Sobre o filho, um pouco Shiva um pouco Madona um pouco Maria um pouco Jocasta. A fera lambendo a cria. A fera que se ferifica cria da cria. Variáveis formas de comer o próprio filho.
O mais difícil é a necessidade de falar sem ter o que dizer. Muitas vezes falar se dá num esforço hercúleo neste mundo cão. Eu não sou Waldick não. Crucial falar apenas para impedir que cresçam os dentes. Alors, o que afirmar sobre “um kaspar hauser”? Com quem estão as respostas? Mariana Abbade lança o seu legado e podemos dizer, sem medo de errar, que todo leitor é um co-autor. E que cada um que lê o faz independente da intenção do autor, porque as palavras são as que dizem de acordo com o diálogo que estabeleço com ela. Como a máxima de Millor Fernandes (se não é dele deveria ser) de que “o pôr do sol é daquele que o vê”.
Enfim, o blog “um kaspar hauser” é o rito do pôr do sol.
Wilson Coêlho
Auditor Real do Collège de Pataphysique de Paris
sábado, 13 de junho de 2009
Tenho estado em um vazio de desacreditar.
Eu não podia esperar que não estivesse.
E eu esperei.
Tento me preencher.
Fazer com que cada atitude crie consistência, seja degustável.
Tenho a impressão que consigo.
E consumo com a rapidez do que não vi.
Não encontro o que satisfaça.
Nem entendo onde me fujo.
Há tanta coisa pra me fazer bem.
Confesso que havia esquecido dessa sensação de estar cavada.
Agora, vendo meu buraco, me lembro da gente ter se encontrado outra vez.
Eu quero agora conseguir apontar onde é que me falto.
E alcançar o que me tapa.
Até o próximo encontro.
Eu não podia esperar que não estivesse.
E eu esperei.
Tento me preencher.
Fazer com que cada atitude crie consistência, seja degustável.
Tenho a impressão que consigo.
E consumo com a rapidez do que não vi.
Não encontro o que satisfaça.
Nem entendo onde me fujo.
Há tanta coisa pra me fazer bem.
Confesso que havia esquecido dessa sensação de estar cavada.
Agora, vendo meu buraco, me lembro da gente ter se encontrado outra vez.
Eu quero agora conseguir apontar onde é que me falto.
E alcançar o que me tapa.
Até o próximo encontro.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
ser pequena dói
Escutei um choro de criança, de algum vizinho.
Não foi rápido.
Me pegou aquele choro.
Era enorme.
Foi virando grito.
Com algumas letras dentro dele.
Um grito esgoelado.
Lembrei da imagem do meu filho.
Que naquele choro bate a perna com força no chão.
Bate o braço onde puder bater.
A cabeça ele sacode e segura com as mãos.
O choro do vizinho tinha esse corpo.
Era ao máximo.
Um choro que faz explodir.
Que faz tudo vazar.
E o entrega em sono, em desmaio.
Eu queria ter de volta esse meu choro.
Não foi rápido.
Me pegou aquele choro.
Era enorme.
Foi virando grito.
Com algumas letras dentro dele.
Um grito esgoelado.
Lembrei da imagem do meu filho.
Que naquele choro bate a perna com força no chão.
Bate o braço onde puder bater.
A cabeça ele sacode e segura com as mãos.
O choro do vizinho tinha esse corpo.
Era ao máximo.
Um choro que faz explodir.
Que faz tudo vazar.
E o entrega em sono, em desmaio.
Eu queria ter de volta esse meu choro.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
eu preciso nos ter bem
Precisamos da coragem que nos tiramos a todo momento.
Precisamos confiar e abrir espaço pra nos transformar.
Precisamos inspirar as possibilidades possíveis que acompanham o trajeto duro que temos.
E nos enxergar vivos apesar da fraqueza que nos monta.
Temos que nos enxergar indivíduo e produzir nosso alimento através dele.
Trouxemos a alegria conosco. Não abrimos mão dela.
Esse escuro é aquele lugar que vai, sem outra possibilidade, nos iluminar outra vez.
Cada passo tem sido construído, mesmo o incerto.
Temos o maior amor possível.
E que por ser não deixará de ser.
Precisamos confiar e abrir espaço pra nos transformar.
Precisamos inspirar as possibilidades possíveis que acompanham o trajeto duro que temos.
E nos enxergar vivos apesar da fraqueza que nos monta.
Temos que nos enxergar indivíduo e produzir nosso alimento através dele.
Trouxemos a alegria conosco. Não abrimos mão dela.
Esse escuro é aquele lugar que vai, sem outra possibilidade, nos iluminar outra vez.
Cada passo tem sido construído, mesmo o incerto.
Temos o maior amor possível.
E que por ser não deixará de ser.
terça-feira, 2 de junho de 2009
continuando...
Largando aquela besteira na carteira, fui sempre autônoma.
Minha mãe fica em arrepios.
Com pena de mim, que não estou no lugar daquela amiga funcionária pública, feliz pra burro, com aquele trabalho ma-ravilhoso e que não é nada, não é nada, ganha 2 pila e meio por mês.
Posso fazer qualquer trabalho, se precisar.
Não que não tenha orgulho.
Quase morro com ele.
Antes de morrer o transformo.
Mas tenho que admitir que esse embate não consigo transformar.
É a falta de capacidade.
Não sei estudar.
Minha maior tortura desde a 4ª série foram as provas, os testes.
Eu me sinto uma fraude de ter uma faculdade concluída.
Eu me sinto uma fraude de ter uma faculdade PÚBLICA concluída.
Antes ainda por ter sido aprovada no vestibular.
Não era difícil na minha época, claro que não.
Mas fosse a mais abandonada das faculdades eu não me imaginava em uma tão rápido.
Tinha planos como caminhoneira.
Não fui caminhoneira.
Por conta disso nunca aprendi a dirigir.
Alguma coisa nos filmes e vídeos que vim fazer depois.
Atuei em um que nunca vi.
Escrevi e dirigi outro que quem dirigiu foi Lipe.
Fiz a produção de um que quase não teve produção.
E outro que abandonei na pós.
Antes disso fiz canto e achei que fosse cantar.
Depois aprendi um tico de pandeiro.
Mexi no final cut que tinha em casa pra editar aquela porção de vídeos do mocinho que dorme aqui do lado agora, pendurado na mamadeira.
O que me fez sentir produzir além do leite (pouco), já que não era um momento de viver lá fora, pude inventar algum lugar.
No fim do ano passado fiz um workshop com Domingos Oliveira.
Foi quando não me entendi mais como atriz.
Isso me mexeu do pé à antiga moleira.
Rachadura que tive que entrar.
Escrevi pra me reconhecer.
Também pra me explicar.
Inaugurei esse espaço virtual que me é companheiro dos melhores.
Convidei amigos pra me dar um apoio.
Me deram.
Alguns outros que não conhecia chegaram.
Tenho confiança tal que duvido de mim sempre, com prazer.
Quando penso em algum texto que fiz chego a ter vergonha.
"Prezada Mariana, informo que a Multifoco possui interesse em publicar o seu texto".
Perdida na Lapa, telefonei pra mãe, lu, rô, lipe, comi um chocolate.
Veio o impossível.
Minha mãe fica em arrepios.
Com pena de mim, que não estou no lugar daquela amiga funcionária pública, feliz pra burro, com aquele trabalho ma-ravilhoso e que não é nada, não é nada, ganha 2 pila e meio por mês.
Posso fazer qualquer trabalho, se precisar.
Não que não tenha orgulho.
Quase morro com ele.
Antes de morrer o transformo.
Mas tenho que admitir que esse embate não consigo transformar.
É a falta de capacidade.
Não sei estudar.
Minha maior tortura desde a 4ª série foram as provas, os testes.
Eu me sinto uma fraude de ter uma faculdade concluída.
Eu me sinto uma fraude de ter uma faculdade PÚBLICA concluída.
Antes ainda por ter sido aprovada no vestibular.
Não era difícil na minha época, claro que não.
Mas fosse a mais abandonada das faculdades eu não me imaginava em uma tão rápido.
Tinha planos como caminhoneira.
Não fui caminhoneira.
Por conta disso nunca aprendi a dirigir.
Alguma coisa nos filmes e vídeos que vim fazer depois.
Atuei em um que nunca vi.
Escrevi e dirigi outro que quem dirigiu foi Lipe.
Fiz a produção de um que quase não teve produção.
E outro que abandonei na pós.
Antes disso fiz canto e achei que fosse cantar.
Depois aprendi um tico de pandeiro.
Mexi no final cut que tinha em casa pra editar aquela porção de vídeos do mocinho que dorme aqui do lado agora, pendurado na mamadeira.
O que me fez sentir produzir além do leite (pouco), já que não era um momento de viver lá fora, pude inventar algum lugar.
No fim do ano passado fiz um workshop com Domingos Oliveira.
Foi quando não me entendi mais como atriz.
Isso me mexeu do pé à antiga moleira.
Rachadura que tive que entrar.
Escrevi pra me reconhecer.
Também pra me explicar.
Inaugurei esse espaço virtual que me é companheiro dos melhores.
Convidei amigos pra me dar um apoio.
Me deram.
Alguns outros que não conhecia chegaram.
Tenho confiança tal que duvido de mim sempre, com prazer.
Quando penso em algum texto que fiz chego a ter vergonha.
"Prezada Mariana, informo que a Multifoco possui interesse em publicar o seu texto".
Perdida na Lapa, telefonei pra mãe, lu, rô, lipe, comi um chocolate.
Veio o impossível.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
estágios
Queria ter precisão e confiança quando me perguntam: - Profissão?
Hoje até que me divirto: - Me dê as opções!
Tenho uns 5 registros profissionais na minha carteira de trabalho.
Nenhum deles corresponde às atividades que tive registradas ali.
É de abalar.
Ou rir.
Rio de nervoso.
Falei do meu pai ali embaixo e uma das memórias estonteantes que tenho é de contar quase gargalhando a notícia da morte dele às meninas, Pati e Soft, que moravam comigo na época.
Estou com minha carteira de trabalho vagabunda na mão.
Lendo o que tenho aqui.
É mesmo de gargalhar.
Vou contar.
Registro de atriz.
Terminei a faculdade de cênicas em 99.
Vá!
Depois de sonoplasta. Sonoplasta!
Me imagino procurando trabalho.
Assistente de direção.
Uma vez enganei a Sueli que ia trabalhar como assistente dela.
Me candidatei e não tinha idéia nem como interpretar, vê só como assistente.
Colocaram meu nome:
Assistente de direção MARIANA ABBADE.
Meu primeiro golpe profissional.
Vamos ser justos, esse golpe não faz mal a ninguém.
Bom, a mim se acreditar.
Depois direção teatral. Eu queria audiovisual.
Não muda a falta de utilidade.
Professora por dois anos.
Uma das coisas que menos sou é professora.
Talvez mais sonoplasta.
Mas foi um exercício dos mais envolventes.
E teve um trabalho arrasador de dois meses em uma imobiliária em Curitiba.
Secretária.
Tinha que estar mais completo.
Secretária-do-irmão-do-dono-que-queria-me-comer.
Não o irmão, o dono.
Menos mal.
Meu chefe era de tremer os nervos.
O irmão fodão, empresário, que usava um carro baixinho, sem teto, que parece brinquedo e casado com uma mulher linda de doer liberou uma sala e uma equipe pro irmão doente fazer negocioterapia.
Eu tinha o que?
Acho que 18 ou 19.
Foi um dos momentos que mais li.
Atendia um telefone que não tocava.
Em dois meses deram alta ao meu chefe.
O chefão dono de tudo me chamou na sala dele.
Disse que não ia poder continuar com Lauri lá.
Será mesmo que lembrei?
E perguntou se eu não queria continuar na empresa em outro setor.
Ia ler menos, talvez ganhasse um pouco mais.
Lembro que estava magoada com ele pois tinha sido patrocinador de um show do Gil lá no Guairão que não tive convite.
Ele disse que não sabia.
A secretária dele, cretina, disse pra mim que ia falar.
Rimos.
Ele perguntou quando tinha sido minha primeira vez.
De novo.
Ele perguntou quando tinha sido minha primeira vez.
Tempo.
Não tenho clara referência sobre o que é certo e errado e sou lenta pra absorver.
Claro, se ele me perguntou, ele chefão, empresário, que usa um carro baixinho, sem teto, que parece brinquedo e casado com uma mulher linda de doer.
Eu respondo.
Saí de lá com a mesma sensação de quando assistia SBT na infância.
Mesma falta de sentido.
Disse depois estar pesado trabalhar de dia e faculdade a noite.
Um bom tempo depois estava numa praça, fazendo trabalho de pesquisa.
O chefão passa no carrinho de brinquedo.
Acenou.
Vi muito depois.
Acenei.
Em minutos ele passa pelo mesmo lugar.
Fez a volta.
Parou do outro lado da rua.
Dei tchau e um sorrido simpático nervoso.
Ele respondeu.
Ficou parado.
Continuei a trabalhar.
Ele ainda estava lá.
Me olhando.
Continuei trabalhar.
Queria tanto um convite pro Gil.
Hoje até que me divirto: - Me dê as opções!
Tenho uns 5 registros profissionais na minha carteira de trabalho.
Nenhum deles corresponde às atividades que tive registradas ali.
É de abalar.
Ou rir.
Rio de nervoso.
Falei do meu pai ali embaixo e uma das memórias estonteantes que tenho é de contar quase gargalhando a notícia da morte dele às meninas, Pati e Soft, que moravam comigo na época.
Estou com minha carteira de trabalho vagabunda na mão.
Lendo o que tenho aqui.
É mesmo de gargalhar.
Vou contar.
Registro de atriz.
Terminei a faculdade de cênicas em 99.
Vá!
Depois de sonoplasta. Sonoplasta!
Me imagino procurando trabalho.
Assistente de direção.
Uma vez enganei a Sueli que ia trabalhar como assistente dela.
Me candidatei e não tinha idéia nem como interpretar, vê só como assistente.
Colocaram meu nome:
Assistente de direção MARIANA ABBADE.
Meu primeiro golpe profissional.
Vamos ser justos, esse golpe não faz mal a ninguém.
Bom, a mim se acreditar.
Depois direção teatral. Eu queria audiovisual.
Não muda a falta de utilidade.
Professora por dois anos.
Uma das coisas que menos sou é professora.
Talvez mais sonoplasta.
Mas foi um exercício dos mais envolventes.
E teve um trabalho arrasador de dois meses em uma imobiliária em Curitiba.
Secretária.
Tinha que estar mais completo.
Secretária-do-irmão-do-dono-que-queria-me-comer.
Não o irmão, o dono.
Menos mal.
Meu chefe era de tremer os nervos.
O irmão fodão, empresário, que usava um carro baixinho, sem teto, que parece brinquedo e casado com uma mulher linda de doer liberou uma sala e uma equipe pro irmão doente fazer negocioterapia.
Eu tinha o que?
Acho que 18 ou 19.
Foi um dos momentos que mais li.
Atendia um telefone que não tocava.
Em dois meses deram alta ao meu chefe.
O chefão dono de tudo me chamou na sala dele.
Disse que não ia poder continuar com Lauri lá.
Será mesmo que lembrei?
E perguntou se eu não queria continuar na empresa em outro setor.
Ia ler menos, talvez ganhasse um pouco mais.
Lembro que estava magoada com ele pois tinha sido patrocinador de um show do Gil lá no Guairão que não tive convite.
Ele disse que não sabia.
A secretária dele, cretina, disse pra mim que ia falar.
Rimos.
Ele perguntou quando tinha sido minha primeira vez.
De novo.
Ele perguntou quando tinha sido minha primeira vez.
Tempo.
Não tenho clara referência sobre o que é certo e errado e sou lenta pra absorver.
Claro, se ele me perguntou, ele chefão, empresário, que usa um carro baixinho, sem teto, que parece brinquedo e casado com uma mulher linda de doer.
Eu respondo.
Saí de lá com a mesma sensação de quando assistia SBT na infância.
Mesma falta de sentido.
Disse depois estar pesado trabalhar de dia e faculdade a noite.
Um bom tempo depois estava numa praça, fazendo trabalho de pesquisa.
O chefão passa no carrinho de brinquedo.
Acenou.
Vi muito depois.
Acenei.
Em minutos ele passa pelo mesmo lugar.
Fez a volta.
Parou do outro lado da rua.
Dei tchau e um sorrido simpático nervoso.
Ele respondeu.
Ficou parado.
Continuei a trabalhar.
Ele ainda estava lá.
Me olhando.
Continuei trabalhar.
Queria tanto um convite pro Gil.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
as coisas vão sendo faladas
- vc acha melhor?
- sim, claro...apesar de toda a dificuldade e peso que tem isso tudo.
- e ele tbém está achando?
- de forma diferente, mas também.
- como ce está?
- Estou quase plena se não faltasse tanto...rs
- acho linda a forma como vocês são bem resolvidos, eu sei que isso não é o tempo inteiro, como com niguém
- o objetivo é nos reconstruirmos individualmente
- parabéns pela atitude e coragem
- e tenho sentido umas coisas incríveis...uma barreira enorme pra alcançar as coisas, uma sensação de morte...mas tudo me faz me sentir mais viva
- vc e esse seu encanto por sentir as coisas
- hoje me deu uma vontade de gritar na janela: existo!!
- vcs estao vivos né...nao podia ser diferente, quero um dia adorar vivenciar essas coisas
- e ele como está?
- eu tenho achado ele corajoso! admirável, ele dá conta de si
- ele dá... no fundo a maioria das pessoas dá.
- sim, claro...apesar de toda a dificuldade e peso que tem isso tudo.
- e ele tbém está achando?
- de forma diferente, mas também.
- como ce está?
- Estou quase plena se não faltasse tanto...rs
- acho linda a forma como vocês são bem resolvidos, eu sei que isso não é o tempo inteiro, como com niguém
- o objetivo é nos reconstruirmos individualmente
- parabéns pela atitude e coragem
- e tenho sentido umas coisas incríveis...uma barreira enorme pra alcançar as coisas, uma sensação de morte...mas tudo me faz me sentir mais viva
- vc e esse seu encanto por sentir as coisas
- hoje me deu uma vontade de gritar na janela: existo!!
- vcs estao vivos né...nao podia ser diferente, quero um dia adorar vivenciar essas coisas
- e ele como está?
- eu tenho achado ele corajoso! admirável, ele dá conta de si
- ele dá... no fundo a maioria das pessoas dá.
ir além
Sabe o que me fascina?
Ir além do que previa.
É estar no limite de um momento e ter a proposta de seguir.
Tenho rancor do fim.
Da cidade que não funciona depois da hora.
De não poder acordar na madrugada e ir.
Da hora de acordar, dormir, brincar e trabalhar.
E incrível que faça isso com meu filho.
Por que?
Talvez minha única possibilidade.
Talvez seja minha única chance de sobreviver.
Sem Felipe, sem Tito, talvez estivesse numa noite de anos.
Ir além do que previa.
É estar no limite de um momento e ter a proposta de seguir.
Tenho rancor do fim.
Da cidade que não funciona depois da hora.
De não poder acordar na madrugada e ir.
Da hora de acordar, dormir, brincar e trabalhar.
E incrível que faça isso com meu filho.
Por que?
Talvez minha única possibilidade.
Talvez seja minha única chance de sobreviver.
Sem Felipe, sem Tito, talvez estivesse numa noite de anos.
Godard
Tenho ainda resistido dormir, acordar por consequência.
Ontem consegui deixar os textos e me preparei pra um filme.
Um brasileiro que Lipe disse pra assistir.
Na primeira cena lembrei ter visto.
Minha cabeça não guarda, substitui.
Nas prateleiras de dvd's bati o olho e peguei
Je vous salue, Marie
Era tarde.
Quase duas.
Fui uns trinta minutos de filme.
O olho doía.
Cinco e meia meu filho pediu leite.
Mã-mã!
Ele não diz mas é o leite.
Acordo, preparo, confiro o lado do bico, a fralda, beijinho, pra cama.
Mexo no meu corpo pra me aconchegar.
Escrevo no caderno que faço pra Tito desde que nasceu.
Me cubro, bruços.
Ele volta a chamar.
Bô.
Entrega a mamadeira.
Se estica para que eu o pegue.
Reflexo.
Deito ele de bruços, carinho nas costas e na orelha.
Saio devagar pra tentar me esticar.
Resisto.
Sem carinho nas costas e na orelha.
Estico os braços.
Je vous salue, Marie
Não dá pra dormir.
En ce temps là - Naquela época
Entrego a mamadeira.
Ontem consegui deixar os textos e me preparei pra um filme.
Um brasileiro que Lipe disse pra assistir.
Na primeira cena lembrei ter visto.
Minha cabeça não guarda, substitui.
Nas prateleiras de dvd's bati o olho e peguei
Je vous salue, Marie
Era tarde.
Quase duas.
Fui uns trinta minutos de filme.
O olho doía.
Cinco e meia meu filho pediu leite.
Mã-mã!
Ele não diz mas é o leite.
Acordo, preparo, confiro o lado do bico, a fralda, beijinho, pra cama.
Mexo no meu corpo pra me aconchegar.
Escrevo no caderno que faço pra Tito desde que nasceu.
Me cubro, bruços.
Ele volta a chamar.
Bô.
Entrega a mamadeira.
Se estica para que eu o pegue.
Reflexo.
Deito ele de bruços, carinho nas costas e na orelha.
Saio devagar pra tentar me esticar.
Resisto.
Sem carinho nas costas e na orelha.
Estico os braços.
Je vous salue, Marie
Não dá pra dormir.
En ce temps là - Naquela época
Entrego a mamadeira.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
me descasco

Ontem, conversando, falei de quanto sou mexida com as possibilidades.
Como me altera enxergar a quantidade possível de direções.
Sentir que posso tomar uma decisão que não tinha, fazer a viagem que não fiz, encontrar as pessoas que ainda não vi, mudar aquele meu móvel de lugar, pintar a parede que não enxergava mais, andar pelo caminho que não conheço, participar de programas que não me chamavam mais.
Me enfeitiço...
Me levo a um limite.
Quase a minha loucura.
Enquanto escrevo e me carrego pra essa sensação que me vibra, percebo a reação dos meus braços, a palma da minha mão, e uma força que empurra minha cabeça de dentro pra fora pra todos os lados.
Corpo que não parece meu.
Disse ontem nessa conversa que me lembro exatamente do momento primeiro que reconheci essa possibilidade da autoria, a força que isso carrega, a transformação que acompanha a ação que tenho, ou não tenho.
Há 16 anos atrás fumei escondido, com amigas, numa brincadeira, sem pensar.
Num momento rápido, de minutos, esse que me fez contato com esse sentimento que me faz viva, quase insana, eu senti essa força que desespera. As escolhas que só podiam vir de mim, e me fizeram contato com minhas primeiras possibilidades conscientes, que me impressionaram ao me enxergar a partir dali, naquele momento que me decidi fumante.
Me abalo hoje quando lembro e sinto vivo aquele momento.
Fico mexida com a volta da mesma sensação que tive.
Assusta a distância que temos.
É mais difícil sair do lugar. Tenho mais medo.
As direções são menos claras.
O movimento da escolha é mais extremo, valioso.
Eu sinto o cansaço. O consumo de mim é maior.
Meu corpo dói. Minha garganta.
Eu tento não reconhecer a força contra que me bate.
Finjo que o impulso é forte.
Ignoro o socorro que me peço.
Me surpreende a densidade.
Mexo em todos os caminhos com menos convicção.
Tive agora aquela mesma sensação da possibilidade.
Com clareza.
Mesmo chorar eu posso.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
minha fragilidade
Criei uma figura com tanta segurança que mesmo eu fico um tanto sem chão.
E eu não ligo de dizer que me criei, pois a gente se constrói a cada conversa, cigarro, cheiro, sorriso, música, pensamento.
É bom construir e ter que desfazer.
Sou simples. Pras coisas da rotina. Pro consumo.
Não gosto do chique nem do sofisticado, sou muito vira-latas pra isso.
Gosto do criativo, do bom gosto ou do pé sujo com papel no banheiro, das mulheres ao menos.
Não tenho carro. Nem sei dirigir.
É minha fragilidade que trago pra cá.
Nelson Rodrigues também não sabia.
Faz com que eu me sinta parte de um grupo.
Bem interessante, vamos dizer.
E tenho pouquíssimo dinheiro ou nenhum, geralmente.
O que me faz sentir da maioria.
O taxi não é muito fácil.
E se parecer um lamento eu peço desculpas, pois não é.
Eu sempre vivi assim e é assim que me carrego por aí, bem.
A questão é a variedade de momentos.
Sou uma pessoa de pouco custo e dinheiro mas com grande fartura afetiva.
Hoje tive uma volta catastrófica de uma cerveja no Rio.
Voltei com amigos de ônibus, ótimo.
Mas aqui eu tive que fazer escala do centro pra Roberto Silveira/Domingues de Sá - andar pela cinco de julho e no fim dela enxergar aquele carrinho maior e azul que reconheço com os 4 graus que me faltam no olho.
É minha fragilidade.
O carro que não tenho, o táxi que não pude pagar.
Antes disso uma ligação no skype com sotaque peruano me diz que vou para Lima, um mês. Passagens compradas!
É minha riqueza.
Te amo Lu!
Antes mesmo das passagens (talvez um pouco menos).
E eu não ligo de dizer que me criei, pois a gente se constrói a cada conversa, cigarro, cheiro, sorriso, música, pensamento.
É bom construir e ter que desfazer.
Sou simples. Pras coisas da rotina. Pro consumo.
Não gosto do chique nem do sofisticado, sou muito vira-latas pra isso.
Gosto do criativo, do bom gosto ou do pé sujo com papel no banheiro, das mulheres ao menos.
Não tenho carro. Nem sei dirigir.
É minha fragilidade que trago pra cá.
Nelson Rodrigues também não sabia.
Faz com que eu me sinta parte de um grupo.
Bem interessante, vamos dizer.
E tenho pouquíssimo dinheiro ou nenhum, geralmente.
O que me faz sentir da maioria.
O taxi não é muito fácil.
E se parecer um lamento eu peço desculpas, pois não é.
Eu sempre vivi assim e é assim que me carrego por aí, bem.
A questão é a variedade de momentos.
Sou uma pessoa de pouco custo e dinheiro mas com grande fartura afetiva.
Hoje tive uma volta catastrófica de uma cerveja no Rio.
Voltei com amigos de ônibus, ótimo.
Mas aqui eu tive que fazer escala do centro pra Roberto Silveira/Domingues de Sá - andar pela cinco de julho e no fim dela enxergar aquele carrinho maior e azul que reconheço com os 4 graus que me faltam no olho.
É minha fragilidade.
O carro que não tenho, o táxi que não pude pagar.
Antes disso uma ligação no skype com sotaque peruano me diz que vou para Lima, um mês. Passagens compradas!
É minha riqueza.
Te amo Lu!
Antes mesmo das passagens (talvez um pouco menos).
segunda-feira, 18 de maio de 2009
preciso falar de nós
Gostaria de escrever este texto de um tamanho que sei que não vou conseguir, incompetência.
Pra dizer sobre o que ocupa todas as primeiras sensações e desejos e amor.
Meu vizinho ouve Caetano tão alto que pode acordar meu filho.
Esse som alto me faz torção embaixo do peito. E por cima. Por onde sai a voz.
Não tem problema acordar.
Queria saber berrar.
Como Caetano.
.
Há alguns oito anos atrás um encontro definitivo.
Esbarrão pra outra cidade, trabalho, projetos, amigos, família, casa e um filho, o mais bonito de todos.
Num tropeço virtual deixei uma casa com tudo que tinha e vim em duas mochilas.
E vieram todos os momentos, do mais leve ao pancadão.
O que nos faz querer coisas.
Umas que nos encontram outras que precisamos encontrar.
Próximos e reformulando, criando possibilidade que temos.
A resposta não está na ponta da língua.
Nem as sensações são claras.
O ideal é que faz parar.
A idéia do fracasso.
A mentira do fim.
E cada instante é um.
Com a insegurança animal que aumenta e faz querer esquecer o que nos trouxe aqui.
A gente arrisca no caminho errado com a certeza de poder errar.
Na quantidade de direção que podemos, sem ver agora quase nenhuma.
Difícil deixar a sombra.
Na gente todas as dores.
O olho que fecha e faz andar.
Com pouco mais de duas mochilas.
A marca mais funda.
A vida não é tão fácil.
A gente pode cair.
Não é logo ali que termina.
Nosso caminho é imenso.
Mais claro que parece agora.
Carrego o peso da certeza.
Pra dizer sobre o que ocupa todas as primeiras sensações e desejos e amor.
Meu vizinho ouve Caetano tão alto que pode acordar meu filho.
Esse som alto me faz torção embaixo do peito. E por cima. Por onde sai a voz.
Não tem problema acordar.
Queria saber berrar.
Como Caetano.
.
Há alguns oito anos atrás um encontro definitivo.
Esbarrão pra outra cidade, trabalho, projetos, amigos, família, casa e um filho, o mais bonito de todos.
Num tropeço virtual deixei uma casa com tudo que tinha e vim em duas mochilas.
E vieram todos os momentos, do mais leve ao pancadão.
O que nos faz querer coisas.
Umas que nos encontram outras que precisamos encontrar.
Próximos e reformulando, criando possibilidade que temos.
A resposta não está na ponta da língua.
Nem as sensações são claras.
O ideal é que faz parar.
A idéia do fracasso.
A mentira do fim.
E cada instante é um.
Com a insegurança animal que aumenta e faz querer esquecer o que nos trouxe aqui.
A gente arrisca no caminho errado com a certeza de poder errar.
Na quantidade de direção que podemos, sem ver agora quase nenhuma.
Difícil deixar a sombra.
Na gente todas as dores.
O olho que fecha e faz andar.
Com pouco mais de duas mochilas.
A marca mais funda.
A vida não é tão fácil.
A gente pode cair.
Não é logo ali que termina.
Nosso caminho é imenso.
Mais claro que parece agora.
Carrego o peso da certeza.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
21/01/2008
Recebi um e-mail há pouco sobre a "semana mundial pelo respeito ao nascimento".
Coloco aqui um e-mail que escrevi, o primeiro depois de Tito nascer, uma semana depois.
--
Oi meus queridos!
Estou muito feliz de escrever esse e-mail pra cada um de vocês pra compartilhar a alegria da chegada do formoso, sedutor, saboroso e de goela enooooorme TITO!
No domingo dia 20 a bolsa estourou as 22:30, estava em casa, sozinha, liguei pra Lipe, pra Lucía, Daltinho e Angela. Fiquei nervosa no início, fui me tranquilizando e pensando na chegada tão próxima do filhote. Fui tomar banho, tomei alguns, muita água escorrendo. Angela chegou com Lucía e Daltinho. Lipe, que estava fazendo um trabalho no Rio, ia nos encontrar no hospital. Chegamos mais ou menos meia-noite. Quidinho e Lipe estavam lá. Fui examinada por um obstetra de plantão que disse que estava com 3 cm de dilatação. Fiquei feliz pois estava receosa de não estar em trabalho de parto. Caminhei bastante para que dilatação e contrações viessem. Entre meia-noite e duas ficamos ali embaixo, o clima entre a gente estava ótimo. Eu andando. Me chamaram para o quarto, Lipe estava comigo. Chegando lá uma enfermeira veio avisar que o médico que me atendia estava no centro cirúrgico me esperando. Fiquei assustada, ele não tinha ido me ver, não tinha me avaliado. Fui até lá, numa maca (horrível ter contração sem escolher a posição), encontrei lá uma equipe inteira, pronta para uma cirurgia. O anestesista veio falar comigo e perguntou: Você já tomou anestesia alguma vez? Eu então falei: Não e não vou tomar agora antes de conversar com o médico e entender o que está havendo, estou em trabalho de parto, nenhuma pessoa me avaliou antes de me encaminharem pra cá. Ele disse então que uma médica iria me avaliar. Ela fez o exame, estava com 5 de dilatação e o colo apagado, estava pronta para o parto normal. Logo mais recebo a notícia: FUI CONFUNDIDA COM OUTRA PACIENTE! Estava prestes a fazer uma cesárea com outro médico. Ligaram para o médico que me acompanhou durante a gestação e ele disse que estava chegando. Apesar desse absurdo no HCN, a expulsão foi o momento mais bonito que já tive, o maior prazer que já senti. Lipe estava comigo. 04:29 do dia 21/01 era Tito!
Apesar do trabalho de parto ter sido tranquilo a recuperação não foi tanta, perdi muito sangue, não conseguia me recuperar. Outra negligência, agora do médico. Meu pós-parto. Meu útero não voltou a contrair como devia e isso fez com que perdesse muito sangue e desmaiasse a todo momento. Eu havia recebido alta. É de rir.
Além disso Tito teve icterícia, tomou "banho de luz" por alguns dias. Depois de me recuperar continuei no hospital pra ficar com ele, amamentar. Foram 6 dias de hospital. Eu sinto aquele cheiro sem parar.
Conseguimos voltar ontem 27/01 a noite.
Estou muito feliz. E muito aliviada de estar em casa.
Feliz com cada telefonema, cada mensagem, cada energia gostosa de vocês. Me preparei bastante para o momento do parto, mas nunca pensei que pudesse ser tão dificil a adaptação, a amamentação e a recuperação. Estamos exaustos, filhote, mãe, pai, avós. Foram momentos muito fortes, muita coisa em tão pouco tempo. Hoje é o primeiro dia que consigo voltar a enxergar as coisas além da gente. Por isso gostaria de agradecer muito a todos, a cada um a vontade de nos ver, de conhecer o pacotinho, e pedir que aguardem um pouco a nossa adaptação, a nossa recuperação, para que possamos receber cada um com mais tranquilidade, disposição, comidinhas, caras mais rosadas e poder retribuir de verdade cada carinho.
Um carnaval delicioso pra todos e que a gente se veja logo depois dele, felizinhos!
Um beijo enorme, em anexo a foto.
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmuá
com todo amor
quarta-feira, 13 de maio de 2009
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