Um amigo mandou Quando você saiu, eu fiquei pensando: Será que essa menina nunca fica triste, mal humorada, estressada?
Não respondi até agora.
Nem sei se é pra responder.
Mas eu queria dizer NÃO!
Se fosse meia verdade podia.
Mas sou um bicho.
Um bicho trabalhadinho.
Quando com tempo. Sem ameaça.
Os instintos me entregam.
Lipe dizia que não podia jamais estar com Tito no colo e aparecer um bicho voador.
Sempre tem uma voz que diz: É só um bichinho.
Não há coisa mais nervosa e tensa que bicho que voa.
Bicho me faz correr, mais ainda com asa, que bate em tudo, fazendo barulho de asa nas coisas.
Quando eu corro de um bicho desse eu quebro coisas.
Se tenho algo na mão me livro logo pra não atrapalhar a corrida.
Se tenho um filho no colo talvez lance pra algum lugar.
Uma vez quebrei um ventilador em dois pedaços por estar no trajeto da fuga.
Eu não sei pensar.
Meu normal não é pensar.
Eu me esforço, preciso de tempo.
Outtra vez tava com minha amiga de infância, lá do sul, com cara de europa, subindo pra Santa Teresa.
Quis ir à pé.
Me acho inroubável.
Tenho a impressão que piso firme, olho forte e crio cumplicidade com toda gente.
Nunca tinha sido assaltada.
Eu branca de cegar, e uma polaca de olho azul que parece mentira.
As duas de casaco curitibano.
Subindo Santa Teresa à pé.
Depois da moça avisar Sobe não, pega a Van.
Pisando firme.
Eu percebi os dois vindo, dois grandões.
Tive tempo.
Pensei.
Fui até uma casa e apertei a campainha.
Eles passaram.
Um tempinho, resolvemos subir.
Viramos a esquina e os dois descendo: Assalto!
Ameaça, sem tempo.
Deixei minha amiga Curitibana de olho azul de mentira e fui mais rápida que quando bicho com asa.
Minha amiga gringa só esticou a mão, entregou a bolsa.
Eu no maior sufoco.
Correndo do grandão. Socorro!
Vi um carro e uma mulher saindo.
A única alma que vi mexer fora a nossa.
Ela trancou a porta.
Eu corri pro outro lado. Socorro!
Ele desistiu de mim.
Levantou a mão, falou Tranquilo pra mulher.
Os dois desceram e ela abriu a porta pra mim e pra minha amiga que abandonei.
Sou uma besta.
Não tenho moral.
Profunda não.
Sempre que alguém diz que estou errada eu concordo.
Não tenho convicção sobre certo e errado.
Nunca aprendi.
A chance de estar errada é grande.
Principalmente essas coisas que a gente tem que saber, lados, pessoas, grupos que sempre estão certos, outros sempre errados.
Não acredito que o ser humano está pior, não acredito em mundo justo, igual.
Acho, como achista convicta, que sempre foi assim, vezes pior, vezes melhor.
Em qualquer lugar tenho a impressão que sou de fora.
Que cheguei depois.
Tem uma cidadezinha que sempre íamos, onde os moradores somem com bandido.
Eu não sei dizer errado. Nem certo.
Não sei.
Só sei dizer que não gosto de morte, nenhuma.
De lado nenhum.
Não sei dizer praquele ex-aluno, que morava no morro e se dizia a favor do tráfico pois era comunitário, que ele estava errado. Não tenho convicção em nada. Posso acreditar em tudo.
Quando adolescente era uma das líderes, quase sempre.
E estudava em uma escola de gente rica, de valor sem valor, estudo sem conhecimento.
Fui muito ruim, tive posturas ruins, aprendi a ser mais gente depois de velha.
Morria de vergonha do que sempre fui.
Por isso sempre dou razão.
Entendo a ignorância da maldade.
Hoje não sou mais assim.
Se faço maldade é consciente.
Nem tenho mais vergonha de ter sido como fui.
Por pensar que talvez tenho mais do que se tivesse sido outra.
Não me meto em discussão de lados.
Só sei ver um por um.
Não tenho cancha pra grupo.
Sou pequeníssima.
Aqui em casa elas perceberam.
Que não mereço respeito. Que fico puta, estressada, jogo meu filho se precisar.
Fui pegar a leiteira e tinha uma delas lá dentro, com a cabeça de fora.
Uma barata na minha leiteira com a cabeça de fora.
Só agora elas fazem assim.
Nunca foram tão cruéis quando era casada.
Agora riem de mim.
Ocupam a casa às gargalhadas.
Eu queria só dizer da pergunta do meu amigo.
E dizer que sim, muitas vezes pior.
Quem me vê de perto sabe.
Peço desculpa, sempre peço.
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
não se afobe não, tem carnaval
Tenho sentido enjôo.
E de alguma forma me sinto em gestação.
Lembro lá atrás de querer estar sozinha, pensando coisas que só dá pra pensar sozinha.
Como esse tempo de agora.
Não estou triste.
Nem feliz de esbanjar.
Como se contadinha.
Que dá pra mim, meu pequeno e um carinho pro amigo.
Lembro também de querer quem tivesse em situação parecida.
Assim o assunto desembrulha, desenrola, fica solto sem precisar outro que não preciso.
Tenho ido assim agora também.
E melhor que seja uma pessoa só, pra ter espaço pra esticar bem a ruga que dá.
Tenho uma paciência de Jó.
Normalmente tenho.
E sei que esse é tempo de pausa.
De reabilitação.
Não sinto pressa.
Ansiedade.
Agora não.
Não tenho ido a festa, bar, show, visto tv ou falado on-line.
Nem bebido eu tenho.
Com excessão dessa quarta que bebi no Turco.
Faz dois dias isso, sei.
Mas antes fazia uma semana e meia.
Uma semana e meia são entre 10 e 11 dias.
Algumas pessoas podem rir.
Mas quem bebe não, quem bebe não ri.
Quero estar sóbria.
Ouvir.
Ver.
Andar.
Pensar, sentir.
Faço isso todo dia.
Fico arrepiada de estar viva.
Não tem outra coisa que penso que me faz assim deliciar.
Minha única bandeira.
No sorrisinho leve, no silêncio ou na gritaria.
"O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos"
Gosto como altera, como vai, volta, gira, te acerta.
Vivo ela passando roupa.
E de alguma forma me sinto em gestação.
Lembro lá atrás de querer estar sozinha, pensando coisas que só dá pra pensar sozinha.
Como esse tempo de agora.
Não estou triste.
Nem feliz de esbanjar.
Como se contadinha.
Que dá pra mim, meu pequeno e um carinho pro amigo.
Lembro também de querer quem tivesse em situação parecida.
Assim o assunto desembrulha, desenrola, fica solto sem precisar outro que não preciso.
Tenho ido assim agora também.
E melhor que seja uma pessoa só, pra ter espaço pra esticar bem a ruga que dá.
Tenho uma paciência de Jó.
Normalmente tenho.
E sei que esse é tempo de pausa.
De reabilitação.
Não sinto pressa.
Ansiedade.
Agora não.
Não tenho ido a festa, bar, show, visto tv ou falado on-line.
Nem bebido eu tenho.
Com excessão dessa quarta que bebi no Turco.
Faz dois dias isso, sei.
Mas antes fazia uma semana e meia.
Uma semana e meia são entre 10 e 11 dias.
Algumas pessoas podem rir.
Mas quem bebe não, quem bebe não ri.
Quero estar sóbria.
Ouvir.
Ver.
Andar.
Pensar, sentir.
Faço isso todo dia.
Fico arrepiada de estar viva.
Não tem outra coisa que penso que me faz assim deliciar.
Minha única bandeira.
No sorrisinho leve, no silêncio ou na gritaria.
"O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos"
Gosto como altera, como vai, volta, gira, te acerta.
Vivo ela passando roupa.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Inauguração Sala 1042, Lima - tema Brasil
Mário, violonista peruano, e eu fizemos a apresentação de música brasileira, com samba, bossa e chorinho.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
mas meu coração é outro
Fujo pra uma cerveja com pouquíssimos amigos,
Que amo, conheço e posso estar à noite em silêncio.
Tem uma coisa que hoje falei com minha pipoca.
Quem separa quer casar.
Uma contradição pra deixar a gente toda que separa de boca solta.
Juro, falei mesmo.
Me disse ela que se não fosse pra casar não era interesse.
Eu reconheci o buraco.
Imediato.
Disse à minha irmã, isso é falta. Preencher o que esvazia.
Depois de uma separação você cria vazios inteiros de tudo.
Amizade, parceria, cumplicidade, amante.
E fica querendo preencher isso de outro jeito, com impressão de sentimento novo.
Se conseguir que ninguém te aguente, vencer se derrubar nessa etapa, talvez sinta o prazer de estar só. O prazer de ter o coração arrumado, aconchegado, e o trono sem rei.
Que amo, conheço e posso estar à noite em silêncio.
Tem uma coisa que hoje falei com minha pipoca.
Quem separa quer casar.
Uma contradição pra deixar a gente toda que separa de boca solta.
Juro, falei mesmo.
Me disse ela que se não fosse pra casar não era interesse.
Eu reconheci o buraco.
Imediato.
Disse à minha irmã, isso é falta. Preencher o que esvazia.
Depois de uma separação você cria vazios inteiros de tudo.
Amizade, parceria, cumplicidade, amante.
E fica querendo preencher isso de outro jeito, com impressão de sentimento novo.
Se conseguir que ninguém te aguente, vencer se derrubar nessa etapa, talvez sinta o prazer de estar só. O prazer de ter o coração arrumado, aconchegado, e o trono sem rei.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão
Tenho achado as pessoas chatíssimas.
Os lugares tenho achado chatíssimos também.
Não tristes, chatos.
Tem sido chato trabalhar também.
Merecia não trabalhar.
Não precisar.
Ganhar por ser.
As pessoas que amo continuo amando.
Muito.
Mais.
Mas o mundo anda chato.
Tenho achado.
Esses encontros de bastante gente.
Aceitação.
Mostrar riso.
Acenar.
Conhecer.
Ser conhecido.
E repete.
Esses encontros de bastante gente.
Aceitação.
Mostrar riso.
Acenar.
Conhecer.
Ser conhecido.
Eu não sei o que há comigo.
Tenho amor que vaza.
Mas chego em casa querendo ficar.
Biscoito com mostarda. Pipoca, com mostarda também.
Chá sem açúcar.
Ler, um filme, uma escrita.
Música. Música.
Deitar na rede com o piquinin.
Espio alguma coisa atrás do computador.
E repete.
Biscoito com mostarda. Pipoca, com mostarda também.
Chá sem açúcar.
Ler, um filme, uma escrita.
Música. Música.
Deitar na rede com o piquinin.
Espio alguma coisa atrás do computador.
Sem compartilhar.
Nem dar, nem pegar.
Ser, só.
Os lugares tenho achado chatíssimos também.
Não tristes, chatos.
Tem sido chato trabalhar também.
Merecia não trabalhar.
Não precisar.
Ganhar por ser.
As pessoas que amo continuo amando.
Muito.
Mais.
Mas o mundo anda chato.
Tenho achado.
Esses encontros de bastante gente.
Aceitação.
Mostrar riso.
Acenar.
Conhecer.
Ser conhecido.
E repete.
Esses encontros de bastante gente.
Aceitação.
Mostrar riso.
Acenar.
Conhecer.
Ser conhecido.
Eu não sei o que há comigo.
Tenho amor que vaza.
Mas chego em casa querendo ficar.
Biscoito com mostarda. Pipoca, com mostarda também.
Chá sem açúcar.
Ler, um filme, uma escrita.
Música. Música.
Deitar na rede com o piquinin.
Espio alguma coisa atrás do computador.
E repete.
Biscoito com mostarda. Pipoca, com mostarda também.
Chá sem açúcar.
Ler, um filme, uma escrita.
Música. Música.
Deitar na rede com o piquinin.
Espio alguma coisa atrás do computador.
Sem compartilhar.
Nem dar, nem pegar.
Ser, só.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
É desdobrar fibra por fibra
Em um dia há tempo atrás,
num desses comuns que parecem esburacar,
que dá vazio de não saber mais o que fazer dali, pra que.
Queria chorar e dormir. Dias.
Não choro na frente do meu filho.
Quando recém-nascido (ainda não sei dos hífens), teve dificuldade de pegar meu peito. E nenhum dos dois conhece. Passam a saber juntos, quase de imediato, às vezes nem tanto. Como nosso caso.
Um dos momentos mais duros que vivi.
Nunca acho o difícil pior, sinto algo bonito quando lembro.
Mas sabia que estava num hospital que não favorecia, onde quase me fizeram uma cesárea por engano, e discuti com uma equipe inteira enquanto em trabalho de parto, sem Lipe que não deixaram entrar, o que é proibido.
Queria brigar pra não darem leite artificial, queria ajuda pra amamentar. O médico foi displicente com o pós-parto onde o útero não voltou a contrair. E um sangramento que não deixava sentar, que desmaiava.
Num desses dias ainda lá, fiquei seis com Tito, que teve icterícia, me bateu desespero que não consegui transformar, chorei de berrar. Ele chorava, de fome, não cabe suportar ver filho com fome. Tinha ali uma outra mãe, que o filho mamava bem, levei o meu pra mamar no peito dela, não pode, sei que não, fiz. Ela, a outra mãe, chorou comigo.
Uma enfermeira disse pra não chorar assim perto do meu filho, podia fazer mal a ele. Chorei lá fora.
Volto pro dia que estava com ele e com o vazio todo que bateu, mesmo com ele. Quis também sair pra chorar. Segurei meu choro. E de repente não. Deixei vir na brincadeira, chorei de berrar mais uma vez.
Não me entendeu por um tempo. Parou, me olhando.
Abriu um riso logo mais. Como se riso fosse choro. Chorei rindo. Continuei berrando. Rindo. Ele só rindo. Me abraçou. Me deu brinquedo.
Vi a gente inteiro, rindo como choro, chorando rindo.
num desses comuns que parecem esburacar,
que dá vazio de não saber mais o que fazer dali, pra que.
Queria chorar e dormir. Dias.
Não choro na frente do meu filho.
Quando recém-nascido (ainda não sei dos hífens), teve dificuldade de pegar meu peito. E nenhum dos dois conhece. Passam a saber juntos, quase de imediato, às vezes nem tanto. Como nosso caso.
Um dos momentos mais duros que vivi.
Nunca acho o difícil pior, sinto algo bonito quando lembro.
Mas sabia que estava num hospital que não favorecia, onde quase me fizeram uma cesárea por engano, e discuti com uma equipe inteira enquanto em trabalho de parto, sem Lipe que não deixaram entrar, o que é proibido.
Queria brigar pra não darem leite artificial, queria ajuda pra amamentar. O médico foi displicente com o pós-parto onde o útero não voltou a contrair. E um sangramento que não deixava sentar, que desmaiava.
Num desses dias ainda lá, fiquei seis com Tito, que teve icterícia, me bateu desespero que não consegui transformar, chorei de berrar. Ele chorava, de fome, não cabe suportar ver filho com fome. Tinha ali uma outra mãe, que o filho mamava bem, levei o meu pra mamar no peito dela, não pode, sei que não, fiz. Ela, a outra mãe, chorou comigo.
Uma enfermeira disse pra não chorar assim perto do meu filho, podia fazer mal a ele. Chorei lá fora.
Volto pro dia que estava com ele e com o vazio todo que bateu, mesmo com ele. Quis também sair pra chorar. Segurei meu choro. E de repente não. Deixei vir na brincadeira, chorei de berrar mais uma vez.
Não me entendeu por um tempo. Parou, me olhando.
Abriu um riso logo mais. Como se riso fosse choro. Chorei rindo. Continuei berrando. Rindo. Ele só rindo. Me abraçou. Me deu brinquedo.
Vi a gente inteiro, rindo como choro, chorando rindo.
domingo, 25 de outubro de 2009
Miss, linda, feia, Lindonéia desaparecida

Uma amiga minha uma vez disse que eu era livre, uma pessoa livre.
Ela disse que achava isso antes, mas me contou depois de saber que eu não faço as unhas das mãos nem dos pés.
Determinante.
Adoro unha bonita.
Sempre quis ter unha comprida, de mulher.
A vida toda trouxe na mão unha de criança.
Redondinha.
Pequena.
Toda manicure diz que se eu fosse toda semana lá, minha unha ia ficar comprida, quadrada.
Eu consigo ir duas semanas seguidas.
Já consegui.
Depois a idéia some, esqueço, não lembro mais.
Se lembro é porque a unha quebrou.
Ou coloquei a sandália pra sair e vi que feio meu dedão.
Como eu não reparo em unha das pessoas, fico achando que vou passar despercebida.
Chega uma hora que a gente entende como a gente funciona.
Como querer pegar sol, ficar morena.
Até hoje escuto gente falando que eu preciso.
Eu sei que posso no máximo 15 minutos frente, 15 costas, depois das cinco.
Pra osteoporose.
Nem isso faço.
Tem 4 coisas que não me habituei no Rio.
Trânsito, quantidade de arma, funk e o sol.
Apesar desse meu terror, o Rio não pode viver sem sol.
Tenho estado aflita esses tempos.
As pessoas se perdem, chegam cedo demais, andam com olho no chão.
O sol faz as pessoas aqui voltarem pra cá.
Traz o orgulho nelas, o orgulho que o carioca tem de ser carioca e de ter esse sol insuportável.
E voltam a pintar as unhas.
De vermelho.
Carioca não tem outra cor.
Se coloco vermelho parece que tenho dez feridas na mão.
Metiolate.
Não, acho que metiolate não era vermelho.
Metiolate ardia.
O vermelho era qual?
Lá em casa passava os dois. Um ardia, outro pintava.
No pé não gosto de cor, gosto dele limpo, curtinho.
Na mão minha unha não cresce, não vai crescer.
Conheço ela a 31 anos, quase trinta e dois.
Nenhuma manicure pode saber mais dela que eu.
Ou mais de mim.
Porque eu sei que não vou à manicure semanalmente.
Queria unha vermelha, comprida.
E cor morena no corpo.
Mas eu sou livre.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
e depois de partir poder voltar e dizer este aqui é o meu lugar
Há muito tempo venho querendo arrumar minha casa.
Dessas arrumações que nem Elaine pode fazer.
De olhar cada papel, pegar a roupa que caiu atrás da gaveta, limpar brinquedo por brinquedo, pôr junto livro que combina com o outro do lado.
Essa arrumação não saía.
Tentei.
Parecia sonho que paralisa.
Vocês têm?
Esses dias à noite botei Tito na minha cama, fui pro quarto dele, num impulso de ladrão.
Tirei tudo do guarda-roupa (e agora? sem hífen?), tirei o pó antigo, sentei com tudo que botei fora, separei as roupas que não cabiam mais, as que não usava, caixas de nada, reorganizei tudo nos cabides, nas gavetas.
Fui pro cesto de brinquedo, pras prateleiras, pros quadros.
Troco os panos do berço.
Encaixo Tito de volta.
Senti alguma coisa lá dentro.
Como se agora sim soubesse cuidar do meu filho.
Precisava saber de mim.
Outra madrugada e me embalo feito gente sem senso no meu quarto.
Tenho a sorte de ter meu vizinho debaixo.
Tento não fazer barulho.
E eu tentando não fazer barulho, pareço dez.
Mamutes.
Mais uma madrugada e avancei a cozinha.
Lavei todas as louças.
Separei muitas pra dar.
Outras pro lixo.
Pra sala outra noite.
Livro caindo de cima.
Amontoado de cd que despenca.
O vizinho segue bom.
Eram três horas, da madrugada.
Faltavam dvd's e gavetões.
Perdi tempo nas fotos, ah as fotos.
Arrumei cada álbum.
Uma por uma eu vi.
Coloquei Vinícius.
O melhor da arrumação é sentar no chão.
Entre sujeira, bicho morto e o que vai voltar pra dentro.
Abrir papel por papel, ler carta, bilhete e ver cada foto.
Com Vinícius.
Como é que o passado faz isso da gente?
Como é que a gente lembra às vezes de um cheiro, tem a sensação que sentiu certa vez?
Deixei os dvd's bagunçados.
Os gavetões também.
Três horas da manhã.
Hoje corri pra área de serviço.
Minha nossa.
Detesto coisa amontoada!
Como elas amontoam?
Se eu detesto?
Joguei tudo, tudo.
Quanta aranha, tadinhas.
Eu gosto de aranha.
Hoje gosto, não gostava.
Na outra casa que a gente morou, teve uma que fez casa na sala, na luz da sala. Era grande. Passou tempo com a gente. Mostrávamos a casa, sala, quarto e a aranha. Num dia, com gente lá tomando cerveja, ela começou a andar, numa linha que não sei como fez, foi indo, direção à janela. A gente não sabia o que fazer. Pedir volta? Parou toda a conversa. Todo mundo fez silêncio, ela foi indo, devagarinho. Saiu. Nossa Charlote. Lipe era apegado nela, como o porquinho.
Mesmo gostando, matei todas hoje.
Não queria achar barata.
Rezei pra isso.
Eu quero morrer quando acho barata.
E eu não quero morrer nunca! Nunca!
Levanto o balde e tchãn!
Claro.
Porque elas são assim.
Bicha burra.
Eu que tenho uma vassoura compriiiida na mão.
Pá!
Pá!
Pior da barata são os espasmos que demoram morrer.
Pá!
Tiro logo dali.
Nem satisfação de ver morta tenho.
Continuo.
Jogo água em tudo.
Detesto paninhos.
Quero água!
Xuá!
Vizinho quieto.
Me viro.
Na hora!
Quase pega meu pé.
A vassoura na mão faz giro no ar.
Pá!
Pá!
Puta que pariu!
Pulinho de descontrole.
Nojenta!
Vizinho um santo.
Xuá.
Xuá.
Ah, não!
Não é possível!
Não é possível!
Pá! Pá!
Três pedaços!
Que ódio!
Merda, merda.
Quem conhece minha área de serviço sabe, não cabem três baratas ali!
Puxo a água.
Isso demora.
Não sei o que acontece, a água aumenta na hora de puxar.
Fim!
E o banheiro?
Banheiro tem que limpar sempre, todo dia!
Ensinou a mãe da Déa pra mim quando eu morava na república.
Agora fico passeando pela casa, abrindo porta de armário, rindo, olhando embaixo de móvel, brilho de vitória, orgulho de posse.
Achei simbólico.
Como se estivesse mais arrumada.
Eu.
Matando meus bichos.
Jogando fora o que não uso.
Sabendo o lugar das coisas.
Passando adiante o que não me serve.
Com umas gavetas e uns dvd's sem mexer.
Pra graça de ter ainda o que fazer.
.
Dessas arrumações que nem Elaine pode fazer.
De olhar cada papel, pegar a roupa que caiu atrás da gaveta, limpar brinquedo por brinquedo, pôr junto livro que combina com o outro do lado.
Essa arrumação não saía.
Tentei.
Parecia sonho que paralisa.
Vocês têm?
Esses dias à noite botei Tito na minha cama, fui pro quarto dele, num impulso de ladrão.
Tirei tudo do guarda-roupa (e agora? sem hífen?), tirei o pó antigo, sentei com tudo que botei fora, separei as roupas que não cabiam mais, as que não usava, caixas de nada, reorganizei tudo nos cabides, nas gavetas.
Fui pro cesto de brinquedo, pras prateleiras, pros quadros.
Troco os panos do berço.
Encaixo Tito de volta.
Senti alguma coisa lá dentro.
Como se agora sim soubesse cuidar do meu filho.
Precisava saber de mim.
Outra madrugada e me embalo feito gente sem senso no meu quarto.
Tenho a sorte de ter meu vizinho debaixo.
Tento não fazer barulho.
E eu tentando não fazer barulho, pareço dez.
Mamutes.
Mais uma madrugada e avancei a cozinha.
Lavei todas as louças.
Separei muitas pra dar.
Outras pro lixo.
Pra sala outra noite.
Livro caindo de cima.
Amontoado de cd que despenca.
O vizinho segue bom.
Eram três horas, da madrugada.
Faltavam dvd's e gavetões.
Perdi tempo nas fotos, ah as fotos.
Arrumei cada álbum.
Uma por uma eu vi.
Coloquei Vinícius.
O melhor da arrumação é sentar no chão.
Entre sujeira, bicho morto e o que vai voltar pra dentro.
Abrir papel por papel, ler carta, bilhete e ver cada foto.
Com Vinícius.
Como é que o passado faz isso da gente?
Como é que a gente lembra às vezes de um cheiro, tem a sensação que sentiu certa vez?
Deixei os dvd's bagunçados.
Os gavetões também.
Três horas da manhã.
Hoje corri pra área de serviço.
Minha nossa.
Detesto coisa amontoada!
Como elas amontoam?
Se eu detesto?
Joguei tudo, tudo.
Quanta aranha, tadinhas.
Eu gosto de aranha.
Hoje gosto, não gostava.
Na outra casa que a gente morou, teve uma que fez casa na sala, na luz da sala. Era grande. Passou tempo com a gente. Mostrávamos a casa, sala, quarto e a aranha. Num dia, com gente lá tomando cerveja, ela começou a andar, numa linha que não sei como fez, foi indo, direção à janela. A gente não sabia o que fazer. Pedir volta? Parou toda a conversa. Todo mundo fez silêncio, ela foi indo, devagarinho. Saiu. Nossa Charlote. Lipe era apegado nela, como o porquinho.
Mesmo gostando, matei todas hoje.
Não queria achar barata.
Rezei pra isso.
Eu quero morrer quando acho barata.
E eu não quero morrer nunca! Nunca!
Levanto o balde e tchãn!
Claro.
Porque elas são assim.
Bicha burra.
Eu que tenho uma vassoura compriiiida na mão.
Pá!
Pá!
Pior da barata são os espasmos que demoram morrer.
Pá!
Tiro logo dali.
Nem satisfação de ver morta tenho.
Continuo.
Jogo água em tudo.
Detesto paninhos.
Quero água!
Xuá!
Vizinho quieto.
Me viro.
Na hora!
Quase pega meu pé.
A vassoura na mão faz giro no ar.
Pá!
Pá!
Puta que pariu!
Pulinho de descontrole.
Nojenta!
Vizinho um santo.
Xuá.
Xuá.
Ah, não!
Não é possível!
Não é possível!
Pá! Pá!
Três pedaços!
Que ódio!
Merda, merda.
Quem conhece minha área de serviço sabe, não cabem três baratas ali!
Puxo a água.
Isso demora.
Não sei o que acontece, a água aumenta na hora de puxar.
Fim!
E o banheiro?
Banheiro tem que limpar sempre, todo dia!
Ensinou a mãe da Déa pra mim quando eu morava na república.
Agora fico passeando pela casa, abrindo porta de armário, rindo, olhando embaixo de móvel, brilho de vitória, orgulho de posse.
Achei simbólico.
Como se estivesse mais arrumada.
Eu.
Matando meus bichos.
Jogando fora o que não uso.
Sabendo o lugar das coisas.
Passando adiante o que não me serve.
Com umas gavetas e uns dvd's sem mexer.
Pra graça de ter ainda o que fazer.
.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Me dê motivo pra ir embora
A rua que fica dentro do bairro Santa Rosa.
Santa Rosa nada tem de Martins Torres.
Sem saída, a única saída que tem na rua é minha casa.
Tem umas vielas, sem saída também, que não saem aqui.
Eu queria morar ali, nas vielinhas, zinhas.
Rua cheia de casa.
Cheia.
Casas de frente pra calçada.
Portão baixinho.
Não tem assalto, nem tiro.
Em três anos ouvi um.
Quando ainda morava com Lipe, a gente ouviu.
Um só.
Todos os botecos são na frente das casas.
Puxadinho.
Do Cadinho, da Dona Dina, com voz da vó da família dinossauro, do Seu Jorge e os dois aqui mais perto que não sei nome.
Os moleques que jogam bola no meio da rua.
Param pra cada pessoa passar.
Os grandes.
Os pequenos não, são envocados.
3 cavalos que descem de uma casa lá de cima, do morro.
Disputam o lixo com os cachorros.
Com a família de porco que às vezes tá por aqui, em passeio de fim de semana.
A vizinha aqui de baixo que tem árvore de goiaba.
Os meninos passam o dia pedindo.
Exigem.
A casa talvez veio depois da árvore.
Ela resmunga e dá.
A molecada desce de papelão no morro de grama aqui do condomínio.
Andam nos cavalos também.
Se puxando numa corda.
As meninas correm gritando pra apertar Tito quando a gente chega.
Os meninos também, mas quem berra são elas.
4 crianças que conversei ontem vieram gritando e correndo pra cima de mim.
Um abraço, dos quatro.
Em mim!
Todo mundo diz bom dia, olá, tudo bem.
Perguntam E o bebê?
Alguns que vejo mais, Seu Jorge de Skol 2,10, já sabe nome: E Tito? Tá bem?
Os mais bebuns são os que faço maior número de cumprimento.
Variam a mesa, às vezes o boteco.
Durante todo o dia.
Acho lindo o olhar que eles têm, bêbado.
A gorda que teve filho pertinho do meu.
Sempre cria cumplicidade.
E o seu? Tudo bem?
As crianças criadas na rua, os pais no boteco.
A vizinha de cima.
Karina, deve ser com K.
Lipe detestava, ouvia funk alto, dançando, tum-tum.
Uma gracinha. Comigo.
Já vi que ela que manda na garotada.
Tem bunda, peito, e confia.
O namorado que tinha cabelo comprido.
Vivia molhado.
Parecia usar soglu, do príncipe de NY.
Acerola e Laranjinha,
dois gêmeos que vão construir a boca da rua logo mais.
Dá pra saber.
Mal têm 1 metro e falam como se trogloditas.
- Porra! Puta que pariu! Caralho, mané!
E partem pra cima dos maiores, com os bracinhos pra trás.
Falei das casas na calçada, mal calçada tem aqui.
Ou é buraco, ou tem carro encima.
O hospital da polícia militar é aqui.
Dizem que eles não deixam nada acontecer.
O que fazem pra isso nem quero saber.
Tem o mercadinho da velha bruxa.
Uma estúpida, grosseira.
Há mais de 1 ano não compro lá.
Ando duas quadras mais pra chegar no outro que além de mais gentil, dá coragem de comprar frios.
Tem o manco abusado que mexe comigo.
Eu cumprimento engrossando a voz.
A ponto dela ficar fina.
Tito adora ele.
Acho legal.
Tem a Lory que teve filho agora.
Disse que é horrível eu ainda não ter ido conhecer.
Eu vou, semana que vem eu vou.
Minha vizinha hoje que interfonou dizendo que fez a chave da porta debaixo pra mim.
Que vende natura.
A Pri que desistiu de mim.
O Júnior que leva Tito pra escola.
Reclama de eu gostar do frio, da chuva.
A vizinha da frente que estrangula o filho.
Eu já denunciei.
Já interfonei,
- Você não sabe o que EU passo!
Tá bem. Desculpa.
A Dona Rosa que fala que pareço Hippie.
Dona Miriam.
Doceira.
Disse que cuidava mais de mim, se pudesse.
Me lembra o porto onde passei a infância.
Lá no Paranazão.
Onde o pai tinha uma casa.
Que afundou na enchente.
Sempre achei assim, afundou.
Lipe ensinou que o rio que subiu.
Lembrava mais quando dizia:
Segue até o fim, é depois do barco.
Como assim barco?
Na rua tem um barco.
Rua Martins Torres.
Durmo com barulho de sapo.
Santa Rosa nada tem de Martins Torres.
Sem saída, a única saída que tem na rua é minha casa.
Tem umas vielas, sem saída também, que não saem aqui.
Eu queria morar ali, nas vielinhas, zinhas.
Rua cheia de casa.
Cheia.
Casas de frente pra calçada.
Portão baixinho.
Não tem assalto, nem tiro.
Em três anos ouvi um.
Quando ainda morava com Lipe, a gente ouviu.
Um só.
Todos os botecos são na frente das casas.
Puxadinho.
Do Cadinho, da Dona Dina, com voz da vó da família dinossauro, do Seu Jorge e os dois aqui mais perto que não sei nome.
Os moleques que jogam bola no meio da rua.
Param pra cada pessoa passar.
Os grandes.
Os pequenos não, são envocados.
3 cavalos que descem de uma casa lá de cima, do morro.
Disputam o lixo com os cachorros.
Com a família de porco que às vezes tá por aqui, em passeio de fim de semana.
A vizinha aqui de baixo que tem árvore de goiaba.
Os meninos passam o dia pedindo.
Exigem.
A casa talvez veio depois da árvore.
Ela resmunga e dá.
A molecada desce de papelão no morro de grama aqui do condomínio.
Andam nos cavalos também.
Se puxando numa corda.
As meninas correm gritando pra apertar Tito quando a gente chega.
Os meninos também, mas quem berra são elas.
4 crianças que conversei ontem vieram gritando e correndo pra cima de mim.
Um abraço, dos quatro.
Em mim!
Todo mundo diz bom dia, olá, tudo bem.
Perguntam E o bebê?
Alguns que vejo mais, Seu Jorge de Skol 2,10, já sabe nome: E Tito? Tá bem?
Os mais bebuns são os que faço maior número de cumprimento.
Variam a mesa, às vezes o boteco.
Durante todo o dia.
Acho lindo o olhar que eles têm, bêbado.
A gorda que teve filho pertinho do meu.
Sempre cria cumplicidade.
E o seu? Tudo bem?
As crianças criadas na rua, os pais no boteco.
A vizinha de cima.
Karina, deve ser com K.
Lipe detestava, ouvia funk alto, dançando, tum-tum.
Uma gracinha. Comigo.
Já vi que ela que manda na garotada.
Tem bunda, peito, e confia.
O namorado que tinha cabelo comprido.
Vivia molhado.
Parecia usar soglu, do príncipe de NY.
Acerola e Laranjinha,
dois gêmeos que vão construir a boca da rua logo mais.
Dá pra saber.
Mal têm 1 metro e falam como se trogloditas.
- Porra! Puta que pariu! Caralho, mané!
E partem pra cima dos maiores, com os bracinhos pra trás.
Falei das casas na calçada, mal calçada tem aqui.
Ou é buraco, ou tem carro encima.
O hospital da polícia militar é aqui.
Dizem que eles não deixam nada acontecer.
O que fazem pra isso nem quero saber.
Tem o mercadinho da velha bruxa.
Uma estúpida, grosseira.
Há mais de 1 ano não compro lá.
Ando duas quadras mais pra chegar no outro que além de mais gentil, dá coragem de comprar frios.
Tem o manco abusado que mexe comigo.
Eu cumprimento engrossando a voz.
A ponto dela ficar fina.
Tito adora ele.
Acho legal.
Tem a Lory que teve filho agora.
Disse que é horrível eu ainda não ter ido conhecer.
Eu vou, semana que vem eu vou.
Minha vizinha hoje que interfonou dizendo que fez a chave da porta debaixo pra mim.
Que vende natura.
A Pri que desistiu de mim.
O Júnior que leva Tito pra escola.
Reclama de eu gostar do frio, da chuva.
A vizinha da frente que estrangula o filho.
Eu já denunciei.
Já interfonei,
- Você não sabe o que EU passo!
Tá bem. Desculpa.
A Dona Rosa que fala que pareço Hippie.
Dona Miriam.
Doceira.
Disse que cuidava mais de mim, se pudesse.
Me lembra o porto onde passei a infância.
Lá no Paranazão.
Onde o pai tinha uma casa.
Que afundou na enchente.
Sempre achei assim, afundou.
Lipe ensinou que o rio que subiu.
Lembrava mais quando dizia:
Segue até o fim, é depois do barco.
Como assim barco?
Na rua tem um barco.
Rua Martins Torres.
Durmo com barulho de sapo.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Como eu me sinto ao final do dia?
Recebi de um amigo:
"Você virou meu jornal da manhã. Acordo, faço café e vou saber o que aconteceu no mundo, de Kaspar Hauser. Quando não tenho notícia, até meu café esfria".
Lindo.
Meus amigos são lindos.
Bobos, mas lindos.
Que notícia melhor posso dar?
"Você virou meu jornal da manhã. Acordo, faço café e vou saber o que aconteceu no mundo, de Kaspar Hauser. Quando não tenho notícia, até meu café esfria".
Lindo.
Meus amigos são lindos.
Bobos, mas lindos.
Que notícia melhor posso dar?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
cof
Hoje me prometi que não passava das onze, ia dormir cedo!
Não sei mais fazer isso.
Não sei mais deixar a madrugada.
Ontem fiquei até quatro da manhã, lendo e vendo filme.
E sempre fui de ler meia página ou assistir 20 minutos e babar.
Agora tenho tido esse prazer que me custa deixar.
O som da madrugada.
Minha nossa.
Meio inconsciente.
Som de sonho.
Que não sabe bem se escuta.
Estou pensando aqui nessa fissura.
Pensei agora, deve ser o cigarro.
Voltei a gostar de fumar.
E na madrugada.
Vendo filme, lendo.
Só quem fumou um dia pra saber o sabor que isso tem.
Cigarro é fedido, esfumaçado.
Mas uma mulher é outra mulher depois de fumar (mais fedida).
Eu sempre fui fumante convicta.
Não queria engravidar, fiz a maior campanha aqui em casa pela adoção.
Entrei em grupos de discussão, baixei textos, me fundamentei.
Parecia mesmo que eu fazia por ideal.
Eu mesma me convenci.
Sei hoje que era o cigarro. A cerveja.
Sou mais rala que gostaria.
Mas por amor eu baixo a guarda, a proteção e bolota!
Ufa!
Fumei o último quando tive a notícia da gravidez, por acaso estava no bar, bêbada!
Nunca gostei de maconha.
Meu nariz sempre mantive virgem.
Não bebo nada de destilado. Nem vinho.
Só cerveja.
Cerveja e cigarro, gente!
Ah, já tive outra droga sim, lembrei, lança perfume!
Já foi minha droga pesada.
Minha cidade de nascença era bem perto do Paraguai, no carnaval eram caixas nas mesas do clube.
Bom também tiveram os derivados.
Loló, benzina, e algumas tentivas de cheirar esmalte depois da bebida acabar.
Lembro de passar uma tarde trancada no quarto com uma amiga ouvindo Janis Joplin com frasquinho de benzina.
Cantamos juntas aquele dia, eu e Janis.
Minha amiga assistiu.
Dizem que cigarro é coisa de gente estressada.
Bobagem.
Me sinto mais tranquila em cada trago.
Mas eu conheço meu corpo, sei que sou frágil na garganta.
Isso me angustia.
Não quero morrer nunca.
Nunca!
Vou parar.
Vou sim.
Hoje não, hoje não dá, tenho Inland Empire pra ver.
___
Marcos me disse que os textos ficaram mais fracos depois que comecei a ficar melhor.
Hoje não deixo dúvida.
Pro Lynch?
Não sei mais fazer isso.
Não sei mais deixar a madrugada.
Ontem fiquei até quatro da manhã, lendo e vendo filme.
E sempre fui de ler meia página ou assistir 20 minutos e babar.
Agora tenho tido esse prazer que me custa deixar.
O som da madrugada.
Minha nossa.
Meio inconsciente.
Som de sonho.
Que não sabe bem se escuta.
Estou pensando aqui nessa fissura.
Pensei agora, deve ser o cigarro.
Voltei a gostar de fumar.
E na madrugada.
Vendo filme, lendo.
Só quem fumou um dia pra saber o sabor que isso tem.
Cigarro é fedido, esfumaçado.
Mas uma mulher é outra mulher depois de fumar (mais fedida).
Eu sempre fui fumante convicta.
Não queria engravidar, fiz a maior campanha aqui em casa pela adoção.
Entrei em grupos de discussão, baixei textos, me fundamentei.
Parecia mesmo que eu fazia por ideal.
Eu mesma me convenci.
Sei hoje que era o cigarro. A cerveja.
Sou mais rala que gostaria.
Mas por amor eu baixo a guarda, a proteção e bolota!
Ufa!
Fumei o último quando tive a notícia da gravidez, por acaso estava no bar, bêbada!
Nunca gostei de maconha.
Meu nariz sempre mantive virgem.
Não bebo nada de destilado. Nem vinho.
Só cerveja.
Cerveja e cigarro, gente!
Ah, já tive outra droga sim, lembrei, lança perfume!
Já foi minha droga pesada.
Minha cidade de nascença era bem perto do Paraguai, no carnaval eram caixas nas mesas do clube.
Bom também tiveram os derivados.
Loló, benzina, e algumas tentivas de cheirar esmalte depois da bebida acabar.
Lembro de passar uma tarde trancada no quarto com uma amiga ouvindo Janis Joplin com frasquinho de benzina.
Cantamos juntas aquele dia, eu e Janis.
Minha amiga assistiu.
Dizem que cigarro é coisa de gente estressada.
Bobagem.
Me sinto mais tranquila em cada trago.
Mas eu conheço meu corpo, sei que sou frágil na garganta.
Isso me angustia.
Não quero morrer nunca.
Nunca!
Vou parar.
Vou sim.
Hoje não, hoje não dá, tenho Inland Empire pra ver.
___
Marcos me disse que os textos ficaram mais fracos depois que comecei a ficar melhor.
Hoje não deixo dúvida.
Pro Lynch?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Ass: ex-atriz
Não sei bem como começar, comecei essa primeira frase de uns três jeitos que não eram como eu queria. Nem esse é, mas vai assim que foi como deu.
Esses tempos estava numa cervejinha com Gus e ia encontrar Tatoca pra ver uma montagem.
Tati me liga pra dizer que o Baita Homem (Bait Man), estava lotado, que tinha uma indicação pra ver um outro espetáculo ali perto. Sonho de Outono.
Esse nome já arrepiou.
E a gente precisa confiar nos arrepios.
Chamei Gus pra ir junto. De maldade, talvez.
Ele disse que ia, pela companhia. De bondade, talvez.
A peça são cinco horas de defuntos que não se sabem defuntos, a gente sabe antes de começar.
E não se carrega como entretenimento, nem isso.
Tem cara de texto escolhido, estudado.
Lá pela terceira hora (engraçado que quando saímos o relógio mostrava que tinham passado 1 hora e meia de quando entramos, foram cinco, eu sei) eu estava a ponto de explodir.
Queria sair. Tatoca e Gus não me deixaram.
Enrolei um pano na cabeça pra tentar dormir, ao menos.
Gus disse que foi ruim o que fiz, que acaba com os atores.
Eu entendo o que ele diz.
Mas queria ter sido pior.
Os atores estavam sérios.
Fazendo com seriedade.
Ator é uma tristeza.
Não devia ser aceito em lugar nenhum quem se chamasse assim.
Vou me corrigir.
Ator de teatro.
O cinema e a tv têm espaço pra isso aí como profissão.
O teatro não.
Se quer fazer teatro não pode se chamar ator.
É de uma infelicidade eterna.
Quer ser musa, sempre musa.
Do diretor, do autor, dos outros atores, da família que foi ver porque tinha convite e muito pedido de por favor.
Ele precisa ser demais, o tempo todo. E bonito. E charmoso. Interessante. Reconhecido.
E pra fazer algo bom precisa saber ser ruim.
Precisa de uma coleção de vergonhas.
Com orgulho de cada uma.
Vive nessa corrida triste de provar ser bom, inteligente, versátil.
Ah, porque tem mais essa.
O ator tem que ser inteligente.
Não cabe isso no ator que se chama ator.
Teve um período em Curitiba, último ou penúltimo ano, que eu estava em 5 espetáculos ao mesmo tempo. Entre ensaio e apresentação. Pura labuta. Ganha pão. Pé preto. Roxo no corpo. Eu não tinha que pensar nada. Tinha que fazer. Os diretores que pensassem. Eu instrumento deles.
Pra ser ator precisa se enxergar ferramenta.
Como uma câmera, um escrito, uma tela.
Se usar como ferramenta.
Se chamar ator não tem nada de grandioso.
Não pode ter.
Esse glamour cafona.
Devia ser proibida a formação "bacharel em cênicas, habilitação em interpretação" (a minha).
Tinha que ser "profissional de teatro".
No teatro você tem que saber e fazer tudo.
Pra conseguir talvez, autonomia.
E poder talvez também, sobreviver.
Porque quicar na frente do figurão, nao vai te fazer artista.
Se envolvendo em tudo, tendo ferramentas, talvez ache um lugar.
O maior problema é que teatro é grupo.
Todo mundo acha isso lindo.
Mas achar grupo de gente que fale além de "teatro é minha vida" não é o mais fácil.
Todo mundo conhece ator.
Só o ator não sabe o tanto de gente que sabe.
Esses tempos estava numa cervejinha com Gus e ia encontrar Tatoca pra ver uma montagem.
Tati me liga pra dizer que o Baita Homem (Bait Man), estava lotado, que tinha uma indicação pra ver um outro espetáculo ali perto. Sonho de Outono.
Esse nome já arrepiou.
E a gente precisa confiar nos arrepios.
Chamei Gus pra ir junto. De maldade, talvez.
Ele disse que ia, pela companhia. De bondade, talvez.
A peça são cinco horas de defuntos que não se sabem defuntos, a gente sabe antes de começar.
E não se carrega como entretenimento, nem isso.
Tem cara de texto escolhido, estudado.
Lá pela terceira hora (engraçado que quando saímos o relógio mostrava que tinham passado 1 hora e meia de quando entramos, foram cinco, eu sei) eu estava a ponto de explodir.
Queria sair. Tatoca e Gus não me deixaram.
Enrolei um pano na cabeça pra tentar dormir, ao menos.
Gus disse que foi ruim o que fiz, que acaba com os atores.
Eu entendo o que ele diz.
Mas queria ter sido pior.
Os atores estavam sérios.
Fazendo com seriedade.
Ator é uma tristeza.
Não devia ser aceito em lugar nenhum quem se chamasse assim.
Vou me corrigir.
Ator de teatro.
O cinema e a tv têm espaço pra isso aí como profissão.
O teatro não.
Se quer fazer teatro não pode se chamar ator.
É de uma infelicidade eterna.
Quer ser musa, sempre musa.
Do diretor, do autor, dos outros atores, da família que foi ver porque tinha convite e muito pedido de por favor.
Ele precisa ser demais, o tempo todo. E bonito. E charmoso. Interessante. Reconhecido.
E pra fazer algo bom precisa saber ser ruim.
Precisa de uma coleção de vergonhas.
Com orgulho de cada uma.
Vive nessa corrida triste de provar ser bom, inteligente, versátil.
Ah, porque tem mais essa.
O ator tem que ser inteligente.
Não cabe isso no ator que se chama ator.
Teve um período em Curitiba, último ou penúltimo ano, que eu estava em 5 espetáculos ao mesmo tempo. Entre ensaio e apresentação. Pura labuta. Ganha pão. Pé preto. Roxo no corpo. Eu não tinha que pensar nada. Tinha que fazer. Os diretores que pensassem. Eu instrumento deles.
Pra ser ator precisa se enxergar ferramenta.
Como uma câmera, um escrito, uma tela.
Se usar como ferramenta.
Se chamar ator não tem nada de grandioso.
Não pode ter.
Esse glamour cafona.
Devia ser proibida a formação "bacharel em cênicas, habilitação em interpretação" (a minha).
Tinha que ser "profissional de teatro".
No teatro você tem que saber e fazer tudo.
Pra conseguir talvez, autonomia.
E poder talvez também, sobreviver.
Porque quicar na frente do figurão, nao vai te fazer artista.
Se envolvendo em tudo, tendo ferramentas, talvez ache um lugar.
O maior problema é que teatro é grupo.
Todo mundo acha isso lindo.
Mas achar grupo de gente que fale além de "teatro é minha vida" não é o mais fácil.
Todo mundo conhece ator.
Só o ator não sabe o tanto de gente que sabe.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Somatopsicopneumático
- Coloquei um trecho do que você escreveu, achei tão lindo.
- Que presente.
- Tá tudo bem?
- Tudo bem, melhor cada dia.
- Isso é bom. Dormiu bem ontem?
- Dormi, capoploft.
- Você voltou pra Niterói sozinha?
- Voltei, ando sozinha esses tempos.
- E isso é bom?
- É bom, tem me feito bem.
- Ficar sozinha eventualmente é ótimo, estar não é bom.
- Eu não estou, nunca estou. Procuro estar agora. Um processo solitário, essencialmente.
- Essa sua fase é importante mesmo que esteja.
- Eu tenho pensado muito, tenho me visto com algo parecido do que minha mãe sempre falou.
- O que sua mãe falou?
- Que as coisas vão ficando diferente, que um filho muda tudo, e minha vida tem outro peso, junto com ele. Isso me faz me reconhecer em outro lugar.
- Acho isso natural.
- É, eu penso e reconheço minha responsabilidade, minha necessidade de nos criar. Sinto todas as minhas escolhas fazendo efeito. O distanciamento familiar desde cedo, acompanhar outra vida, esse meu jeito de não ter medo de deixar.
- Assim mesmo. Acho que primeiro você viveu a euforia da liberdade, agora realmente passando pelo processo
- Também acho, entendendo minha posição nisso tudo, como mulher, como mãe.
- Tudo muito individual e solitário.
- É. E me sinto tomando posse disso agora. Sinto outra coisa, outro lugar, que não tinha encontrado antes, que não tinha entendido. Me sinto mais consistente. Mais forte por estar me reconstruindo sozinha, com verdade.
- Importante achar o devido lugar das coisas.
- Me sentindo real, entendendo tudo que eu escolhi.
(...)
- Tenho fumado.
- Não acredito.
- Uma merda, mas não me matei.
- Você não pode fazer isso.
- Ah, sem drama.
- Não é drama.
- É sim.
- Sei como é difícil parar.
- Moleza parar estando grávida. Difícil não voltar depois disso tudo.
- Você que está sendo dramática agora. Procura outro prazer, sexo casual.
- Deus me livre dele.
- Tem que usar seu lado homem.
- O cigarro nunca me fuma.
(...)
- Fica bem, tá?
- Estou bem, acredita.
- Beijos, querida.
- Beijo, lindeza.
- Qualquer coisa grita.
- Você também.
- Pode ligar qualquer hora.
- Você também.
- Beijos.
- Muá.
- Dorme bem.
- Que presente.
- Tá tudo bem?
- Tudo bem, melhor cada dia.
- Isso é bom. Dormiu bem ontem?
- Dormi, capoploft.
- Você voltou pra Niterói sozinha?
- Voltei, ando sozinha esses tempos.
- E isso é bom?
- É bom, tem me feito bem.
- Ficar sozinha eventualmente é ótimo, estar não é bom.
- Eu não estou, nunca estou. Procuro estar agora. Um processo solitário, essencialmente.
- Essa sua fase é importante mesmo que esteja.
- Eu tenho pensado muito, tenho me visto com algo parecido do que minha mãe sempre falou.
- O que sua mãe falou?
- Que as coisas vão ficando diferente, que um filho muda tudo, e minha vida tem outro peso, junto com ele. Isso me faz me reconhecer em outro lugar.
- Acho isso natural.
- É, eu penso e reconheço minha responsabilidade, minha necessidade de nos criar. Sinto todas as minhas escolhas fazendo efeito. O distanciamento familiar desde cedo, acompanhar outra vida, esse meu jeito de não ter medo de deixar.
- Assim mesmo. Acho que primeiro você viveu a euforia da liberdade, agora realmente passando pelo processo
- Também acho, entendendo minha posição nisso tudo, como mulher, como mãe.
- Tudo muito individual e solitário.
- É. E me sinto tomando posse disso agora. Sinto outra coisa, outro lugar, que não tinha encontrado antes, que não tinha entendido. Me sinto mais consistente. Mais forte por estar me reconstruindo sozinha, com verdade.
- Importante achar o devido lugar das coisas.
- Me sentindo real, entendendo tudo que eu escolhi.
(...)
- Tenho fumado.
- Não acredito.
- Uma merda, mas não me matei.
- Você não pode fazer isso.
- Ah, sem drama.
- Não é drama.
- É sim.
- Sei como é difícil parar.
- Moleza parar estando grávida. Difícil não voltar depois disso tudo.
- Você que está sendo dramática agora. Procura outro prazer, sexo casual.
- Deus me livre dele.
- Tem que usar seu lado homem.
- O cigarro nunca me fuma.
(...)
- Fica bem, tá?
- Estou bem, acredita.
- Beijos, querida.
- Beijo, lindeza.
- Qualquer coisa grita.
- Você também.
- Pode ligar qualquer hora.
- Você também.
- Beijos.
- Muá.
- Dorme bem.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
tem dias que a gente se sente
Conversando com um amigo falamos do fim de casos
Ele de um jeito que me parece muito sem jeito
Disse que não estava mais querendo estar com quem estava
Questionei o jeito de fazer como fazia
Eu tenho comigo que a gente pode sentir o que for
Não interessa muito sendo que é tudo que interessa
Mas na hora de resolver a gente tem que se apagar
A hora que a gente decide algo que sabe que dói no outro
A gente precisa eliminar a gente
A gente precisa entender os cuidados
Precisa saber exatamente como fazer da melhor forma
Porque fazemos parte daquilo que machuca no outro
Alimentamos aquilo em algum momento
Sendo nosso a gente precisa saber como tirar, quase sem ele perceber
Precisa conversar, fazer a mão afrouxar
Fazer confiar no que se diz, seja o que seja
E nesse momento a gente precisa ser certeiro
Precisa de uma reta
Não é justo a dúvida com quem está a espera.
Nenhuma curva pode ter.
Agora não.
Exercer amor dentro de onde quase não existe.
Uma saída só
Precisa saber amar quando não se ama mais
Como companheiro
De sempre.
Ele de um jeito que me parece muito sem jeito
Disse que não estava mais querendo estar com quem estava
Questionei o jeito de fazer como fazia
Eu tenho comigo que a gente pode sentir o que for
Não interessa muito sendo que é tudo que interessa
Mas na hora de resolver a gente tem que se apagar
A hora que a gente decide algo que sabe que dói no outro
A gente precisa eliminar a gente
A gente precisa entender os cuidados
Precisa saber exatamente como fazer da melhor forma
Porque fazemos parte daquilo que machuca no outro
Alimentamos aquilo em algum momento
Sendo nosso a gente precisa saber como tirar, quase sem ele perceber
Precisa conversar, fazer a mão afrouxar
Fazer confiar no que se diz, seja o que seja
E nesse momento a gente precisa ser certeiro
Precisa de uma reta
Não é justo a dúvida com quem está a espera.
Nenhuma curva pode ter.
Agora não.
Exercer amor dentro de onde quase não existe.
Uma saída só
Precisa saber amar quando não se ama mais
Como companheiro
De sempre.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
No céu de uma cidade do interior...
De volta do Rio à noite entrei no terminal das barcas.
Não gosto da praça XV, mas lá dentro é minha casa.
Chega a barca velha, demora mais mas minha favorita.
Tem janela. Sacada de frente e de costas.
Cadeiras mais baixas, mais largas.
Melhor pra quem cresceu pouco.
Meu olhar tá lá pra dentro.
Tenho olhado pouco além disso.
Vejo no canto da vista, lá embaixo, um movimento rápido por debaixo das cadeiras.
Algo preto.
Um rato?
Me preparo pra uma corrida.
Um grito.
Algum agito inesperado que vem, com certeza vem, se mesmo um.
Estava perto.
Não tanto.
Me abaixei e vi entre as cadeiras.
Esperando se mexer.
Mexeu!
Um sapo?
Agora sim eu vi, um sapo.
Um sapo preto enorme.
Não desespera menos, mais sentido só.
Fascínio alerta.
Fascinada enquanto não pula pra cá.
O olho não sai dele.
Um sapo preto enorme.
Tinha um menino atrás de mim.
Queria chamar ele pra ver.
Esperei que o bicho mexesse, pra provar.
Fez um movimento estranho.
A dúvida de novo.
Caranguejo?
Não, que caranguejo!
Um sapo, um sapo.
Movimento lateral mas um sapo.
Um sapo preto enorme.
De repente ele ameaça avançar.
Avançar significa chegar perto.
Meu pé só ponta no chão.
Fascínio.
Fascínio.
Avançou!
Veio vindo, agora vou ver.
Vou ver.
Voou!
O sapo preto voou.
O menino não estava ali pra ver.
Tentei achar.
Um sapo preto enorme voou.
Foi.
Como se um saco plástico.
Niterói.
23:00.
Não gosto da praça XV, mas lá dentro é minha casa.
Chega a barca velha, demora mais mas minha favorita.
Tem janela. Sacada de frente e de costas.
Cadeiras mais baixas, mais largas.
Melhor pra quem cresceu pouco.
Meu olhar tá lá pra dentro.
Tenho olhado pouco além disso.
Vejo no canto da vista, lá embaixo, um movimento rápido por debaixo das cadeiras.
Algo preto.
Um rato?
Me preparo pra uma corrida.
Um grito.
Algum agito inesperado que vem, com certeza vem, se mesmo um.
Estava perto.
Não tanto.
Me abaixei e vi entre as cadeiras.
Esperando se mexer.
Mexeu!
Um sapo?
Agora sim eu vi, um sapo.
Um sapo preto enorme.
Não desespera menos, mais sentido só.
Fascínio alerta.
Fascinada enquanto não pula pra cá.
O olho não sai dele.
Um sapo preto enorme.
Tinha um menino atrás de mim.
Queria chamar ele pra ver.
Esperei que o bicho mexesse, pra provar.
Fez um movimento estranho.
A dúvida de novo.
Caranguejo?
Não, que caranguejo!
Um sapo, um sapo.
Movimento lateral mas um sapo.
Um sapo preto enorme.
De repente ele ameaça avançar.
Avançar significa chegar perto.
Meu pé só ponta no chão.
Fascínio.
Fascínio.
Avançou!
Veio vindo, agora vou ver.
Vou ver.
Voou!
O sapo preto voou.
O menino não estava ali pra ver.
Tentei achar.
Um sapo preto enorme voou.
Foi.
Como se um saco plástico.
Niterói.
23:00.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A volta dos que não foram
Encontrei uma pessoa que gosto muito, que já nos encontramos outra vez e me afastei.
Meu irmão vai ler, que gosto muito, nos comemos outra vez e me afastei.
Nem sempre se come, Rô.
Mas é por aí.
Vivi o contrário também.
Querer (precisar) me aproximar e não poder.
Em outro lugar.
E fiquei pensando nessa confusão.
"Não é uma questão de ordem ou moral.
Eu sei que eu posso até brincar meu carnaval
Mas meu coração é outro".
Sacanagem que o não ganhe sempre nessa coisa.
Tinha que ter outro jeito.
Sei lá um jeito de Dane-se, eu vou mesmo que você não queira!
Por que só o sim tem que entender, mesmo que não entenda bulhufas?
O não quer assim e assim que tem que ser...
Se ferrar!
Porque, onde é que guarda isso?
Que que o sim, coitado, faz da massa que volta?
E é ele o mais bonito, cheio de planos.
Ele que quer dar o mundo inteiro.
Manhãs acordadas juntas, viagens, projetos, sonhos, sorrisos, sempre sorrisos.
E o não que não dá nada, nada, nada, define: não!
Estúpido!
Ridículo!
Árido!
Que infertilidade!
Que incapacidade.
Essa definição é irritante!
Todo mundo sabe que é.
Uma coisa toda descombinada.
E um fica ruim.
E um fica bom.
Qual é?
Fica o ar cheio de pensamento que agoniza com opção só de morte.
A sensação boa vira buraco.
As imagens do futuro sim têm que desmanchar.
E vai você arcar?
Ah, cruz credo, pessoal.
A gente conversa tanto da vida, isso daqui não discute?
.
Meu irmão vai ler, que gosto muito, nos comemos outra vez e me afastei.
Nem sempre se come, Rô.
Mas é por aí.
Vivi o contrário também.
Querer (precisar) me aproximar e não poder.
Em outro lugar.
E fiquei pensando nessa confusão.
"Não é uma questão de ordem ou moral.
Eu sei que eu posso até brincar meu carnaval
Mas meu coração é outro".
Sacanagem que o não ganhe sempre nessa coisa.
Tinha que ter outro jeito.
Sei lá um jeito de Dane-se, eu vou mesmo que você não queira!
Por que só o sim tem que entender, mesmo que não entenda bulhufas?
O não quer assim e assim que tem que ser...
Se ferrar!
Porque, onde é que guarda isso?
Que que o sim, coitado, faz da massa que volta?
E é ele o mais bonito, cheio de planos.
Ele que quer dar o mundo inteiro.
Manhãs acordadas juntas, viagens, projetos, sonhos, sorrisos, sempre sorrisos.
E o não que não dá nada, nada, nada, define: não!
Estúpido!
Ridículo!
Árido!
Que infertilidade!
Que incapacidade.
Essa definição é irritante!
Todo mundo sabe que é.
Uma coisa toda descombinada.
E um fica ruim.
E um fica bom.
Qual é?
Fica o ar cheio de pensamento que agoniza com opção só de morte.
A sensação boa vira buraco.
As imagens do futuro sim têm que desmanchar.
E vai você arcar?
Ah, cruz credo, pessoal.
A gente conversa tanto da vida, isso daqui não discute?
.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
É que tem uma árvore engolidora de pipas que come as minhas pipas
.
Como não está na fase mais tranquila dele tem que ter estratégia.
Mudar o assunto.
Entrou em crise, come o pé.

Fui no hospital psiquiátrico.
Ele disse que meu blog está parecendo confissões de adolescente.
Sempre foi.
Nunca me senti tão menina.
Nem quando era.

A mulher do tronco no ônibus.
Não gostou do meu tênis.
Não gostou.
Fui chamada pra uma reunião, me assustei no início.
Falaram pra ir na biblioteca, falar com a Vânia.
Não via eles.
A biblioteca era uma sala, sem livro.
A Vânia disse que o cachorro preto, da foto que me mostra no celular, come 3 pães de uma vez, pesa 60 quilos.
Nossa, como seu olho é lindo.
Já estão chegando, espera só um pouco mais, sim?

Esse som de gente aprendendo música é coisa de outra vida.
Flauta e o que? Qual é o outro?
O cobrador falou pra eles pararem.
Composição é a brincadeira.
Tecidos, retalhos, e palito de sorvete.
Depois um tema pra colocar brinquedos a partir dele.
Tema de hoje, carro.


Emília chegou.
Só mais um momento, por gentileza.
Leci entrou na sala, falou e eu não entendia.
Começou a cantar.
Era uma deles.
Tinha vários papéis amassados na mão.
Passou o John.
Entrou e eu tava de costas.
Parou do lado da Vânia, de frente pra mim.
Me olhou rápido e voltou a olhar, descobriu que não me conhecia.
Gostei dele. Parece dopado.
Vamos?
Emília, Maristela e outra coordenadora.
Produção pra eles e pra comunidade.
E o projeto pra lei. Pra conseguir verba depois.
Um grandão, com tudo.
Melhor um pequeno, funcional, pra começar.
Isso.
Vamos fazer a reunião pra ver como te pagamos.



Sentei do lado e fui fazendo o desenho junto.
Passamos um tempão assim.
Em silêncio.
Com música.
Não pode.
Uma coisa é o que você tá, outra coisa é o que produz disso.
À merda. Pára de me ler.
Já parei.

Olha aqui, quem tá aqui na foto?
E olha essa, filho!
Chateado porque, meu anjo?
Por que tá irritado assim?
Vou fazer seu mamá, vem dormir.
Aqui, chuchu, o sapo já tá aqui.
Uuuuuu
Vem, vem, vem no colo, vem.
Aaaaaaaaaaahhhhhh
Calma, filho. Calma.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhh
Toma, toma o mamá. Vou cantar, tá?
Teria alguma possibilidade de fazer isso antes de termos certeza do dinheiro.
Não.


Você achava que me conhecia, só demorou saber o que eu era.
Nos falamos então.
Têm meu telefone?
Vou anotar.
8899
Como não está na fase mais tranquila dele tem que ter estratégia.
Mudar o assunto.
Entrou em crise, come o pé.

Fui no hospital psiquiátrico.
Ele disse que meu blog está parecendo confissões de adolescente.
Sempre foi.
Nunca me senti tão menina.
Nem quando era.

A mulher do tronco no ônibus.
Não gostou do meu tênis.
Não gostou.
Fui chamada pra uma reunião, me assustei no início.
Falaram pra ir na biblioteca, falar com a Vânia.
Não via eles.
A biblioteca era uma sala, sem livro.
A Vânia disse que o cachorro preto, da foto que me mostra no celular, come 3 pães de uma vez, pesa 60 quilos.
Nossa, como seu olho é lindo.
Já estão chegando, espera só um pouco mais, sim?

Esse som de gente aprendendo música é coisa de outra vida.
Flauta e o que? Qual é o outro?
O cobrador falou pra eles pararem.
Composição é a brincadeira.
Tecidos, retalhos, e palito de sorvete.
Depois um tema pra colocar brinquedos a partir dele.
Tema de hoje, carro.


Emília chegou.
Só mais um momento, por gentileza.
Leci entrou na sala, falou e eu não entendia.
Começou a cantar.
Era uma deles.
Tinha vários papéis amassados na mão.
Passou o John.
Entrou e eu tava de costas.
Parou do lado da Vânia, de frente pra mim.
Me olhou rápido e voltou a olhar, descobriu que não me conhecia.
Gostei dele. Parece dopado.
Vamos?
Emília, Maristela e outra coordenadora.
Produção pra eles e pra comunidade.
E o projeto pra lei. Pra conseguir verba depois.
Um grandão, com tudo.
Melhor um pequeno, funcional, pra começar.
Isso.
Vamos fazer a reunião pra ver como te pagamos.



Sentei do lado e fui fazendo o desenho junto.
Passamos um tempão assim.
Em silêncio.
Com música.
Não pode.
Uma coisa é o que você tá, outra coisa é o que produz disso.
À merda. Pára de me ler.
Já parei.

Olha aqui, quem tá aqui na foto?
E olha essa, filho!
Chateado porque, meu anjo?
Por que tá irritado assim?
Vou fazer seu mamá, vem dormir.
Aqui, chuchu, o sapo já tá aqui.
Uuuuuu
Vem, vem, vem no colo, vem.
Aaaaaaaaaaahhhhhh
Calma, filho. Calma.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhh
Toma, toma o mamá. Vou cantar, tá?
Teria alguma possibilidade de fazer isso antes de termos certeza do dinheiro.
Não.


Você achava que me conhecia, só demorou saber o que eu era.
Nos falamos então.
Têm meu telefone?
Vou anotar.
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